
{"id":1245,"date":"2020-09-08T21:57:00","date_gmt":"2020-09-09T00:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2020\/09\/08\/homens-nao-devem-cuidar-de-criancas-a-ilegalidade-da-paternidade\/"},"modified":"2024-06-29T21:12:02","modified_gmt":"2024-06-30T00:12:02","slug":"homens-nao-devem-cuidar-de-criancas-a-ilegalidade-da-paternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/colunas\/paternidades-pretas\/homens-nao-devem-cuidar-de-criancas-a-ilegalidade-da-paternidade\/","title":{"rendered":"Homens n\u00e3o devem cuidar de crian\u00e7as: a ilegalidade da paternidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Como a sociedade reage aos primeiros meses de um homem sendo pai? Detalhes, olhares, coment\u00e1rios, sutilezas e muitas outras situa\u00e7\u00f5es cotidianas refor\u00e7am a inquieta\u00e7\u00e3o do ser humano ao ver um homem preto e perif\u00e9rico se descobrindo e vivenciando a paternidade. Mas o que h\u00e1 de errado nisso?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Dimas Reis e seu filho Malik na sede da Preto Imp\u00e9rio, projeto cultural que ele organiza junto a outras agentes culturais da Brasil\u00e2ndia, zona norte de S\u00e3o Paulo. (Foto: Bea Reis)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Eu quero e preciso come\u00e7ar esse texto dizendo que n\u00e3o estou aqui escrevendo para ser refer\u00eancia, principalmente para mulheres que vivenciam diversamente sua maternidade.<\/span><\/p>\n<p>Outra coisa que n\u00e3o me interessa \u00e9 negar a maternidade ou enaltecer a paternidade, mas questionar o machismo ao qual n\u00f3s homens pretos estamos submetidos e alguns de n\u00f3s buscamos se desvencilhar.<\/p>\n<p>T\u00e3o bem tramado ele, que favorece, facilita e for\u00e7a a aus\u00eancia da paternidade em diversos n\u00edveis de influ\u00eancia: psicol\u00f3gico, social, econ\u00f4mico, cultural e acrescentaria, com muito deboche, ficcional.<\/p>\n<p>Tenho observado que rolou uma altera\u00e7\u00e3o do cotidiano, nos \u00faltimos seis meses por conta da experi\u00eancia da paternidade. Falo desse tempo, pois s\u00f3 a\u00ed que fisicamente tornou-se mais f\u00e1cil observar um pai e um filho, ou pai e filho, ou n\u00e3o na verdade, observarem um homem e um beb\u00ea rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n<p>Das primeiras coisas que senti, foi que os motoristas de \u00f4nibus, n\u00e3o nos seus 50%, ignoram a necessidade de cumprir a lei e aguardar que se sente com a crian\u00e7a para mover o \u00f4nibus. N\u00e3o consigo conceber, parece que o c\u00e9rebro n\u00e3o assimila que naquele utens\u00edlio junto ao corpo, com duas perninhas e dois bracinhos se projetando para fora dele (as vezes n\u00e3o d\u00e1 pra ver a cabe\u00e7a por conta que est\u00e1 coberta) que estou com uma crian\u00e7a, j\u00e1 chegaram a dizer com espanto: &#8220;pensei que era um boneco&#8221; (talvez eu pare\u00e7a engra\u00e7ado rs).<\/p>\n<p>Outro ponto, que acho uma das p\u00e9rolas mais podres do machismo, compartilhado e incrustado em todes n\u00f3s: as pessoas abominam o fato do pai ter total capacidade de suprir as necessidades do filho na aus\u00eancia da m\u00e3e, essa fun\u00e7\u00e3o parece ser \u00fanica, exclusiva e obrigat\u00f3ria da m\u00e3e e ai dela.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes (eu disse &#8216;as vezes&#8217; em) mesmo para a m\u00e3e \u00e9 dif\u00edcil quando um pai \u00e9 o que ele deveria ser.To falando aqui daquela constru\u00e7\u00e3o social que obriga a mulher a cuidar de si, do filho, do companheiro e por vezes de outros parentes, essa educa\u00e7\u00e3o fica l\u00e1, t\u00e3o encravada que, chega a rolar um estranhamento quando o pai \u00e9 o que ele deveria ser. Se n\u00e3o se estranha, se enaltece, como n\u00e3o sei se deve ser.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Nesse primeiro texto quero me aprofundar mais nesse segundo ponto. Sinto um cerco, atento e desejoso de que n\u00f3s homens, assumamos &#8220;o seu lugar de homem&#8221; na hist\u00f3ria, afinal &#8220;as coisas sempre foram assim&#8221;.<\/span><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>Mas vamos l\u00e1, j\u00e1 que estamos nos falando pela primeira vez, deixa eu me apresentar.<\/p>\n<p>Eu definido homem h\u00e9tero, cis normativo, negro, perif\u00e9rico e desentendido-bi. Fui criado um pouco exclu\u00eddo das rodas masculinas, meu pai e minha m\u00e3e pareciam n\u00e3o querer me ensinar os palavr\u00f5es, cuspes no ch\u00e3o e fofocas safadinhas na roda p\u00f3s samba da laje no quintal dos primos.<\/p>\n<p>Lembro dessa roda, todos sentados conversando e meu pai dizendo: &#8216;n\u00e3o \u00e9 pra voc\u00ea ficar aqui n\u00e3o, v\u00e1 com sua m\u00e3e&#8217;. Como quem dizia que o que se falava ali n\u00e3o eram coisas pra eu absorver.<\/p>\n<p>N\u00e3o por isso, mas grato por isso, toda minha vida me referenciei pelo feminino: minhas av\u00f3s, minha m\u00e3e, professoras e at\u00e9 na adolesc\u00eancia minhas outras m\u00e3es (Carmem, dona do bar em frente de casa e Dona Izilda, conhecida como Zilda s\u00f3, a benzedeira). Elas eram t\u00e3o importantes pra mim que tinham esse peso de m\u00e3es, junto com minhas av\u00f3s tamb\u00e9m. S\u00f3 mais tarde a gente vai conceituar isso: que nos educamos mesmo \u00e9 em comunidade n\u00e9?<\/p>\n<p>Cresci dentro desse contexto onde eu n\u00e3o gostava de jogar pi\u00e3o, empinar pipa, pensar no carro que eu teria ou nas namoradinhas que eu devia &#8220;ter&#8221;. Quando entrei na creche, com pouco menos de seis anos de idade lembro que meu primo j\u00e1 tinha &#8220;tido&#8221; umas duas namoradinhas.<\/p>\n<p>Quando adolescente sempre esperei e sonhei pela mulher dos meus sonhos (a princesa encantada\u2026 ops devia ser pr\u00edncipe n\u00e9 rs). L\u00e1 pelos 23 anos j\u00e1 me achava pronto e super desejoso de ter um filho, me deparei em meus relacionamentos com os projetos de vida das companheiras\u2026 e puxa como gosto de admirar as pessoas com quem me relaciono.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o todas, que convivi (e convivo), considero mulheres fortes, bem decididas, com uma percep\u00e7\u00e3o de si e com um plano tra\u00e7ado no qual naqueles momentos n\u00e3o inclu\u00eda ter um filho. Hoje com 33 anos, pra minha alegria, eis ent\u00e3o, rolou uma sincronicidade de projetos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_large_Foto-Bea-Reias_Foto-2.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Dimas se surpreende a todo momento com o fato das pessoas questionarem ou se surpreenderem com a forma como ele cuida do seu filho. (Foto: Bea Reis)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Bom, dito isso, para al\u00e9m de minha educa\u00e7\u00e3o familiar ou minha vontade, sempre gostei de crian\u00e7a, j\u00e1 dei aulas em creche, j\u00e1 ajudei a cuidar e sempre gostei da sutileza de encantar e provocar o riso nelas. Minha av\u00f3 diz que tem orgulho de como educaram os homens de nossa fam\u00edlia, pois todos sabem cuidar de seus filhos.<\/p>\n<p>A\u00ed voltamos \u00e0 vaca fria, enfim, chegou meu grande momento, o cabra p\u00f4s sua cara no mundo, recebeu seu nome e escolheu uma m\u00e3e porreta tamb\u00e9m, batalhadora, dona da feira, arrimo de fam\u00edlia, daquelas que se depender dela, ningu\u00e9m passa nenhum tipo de necessidade, sua ins\u00f4nia \u00e9 n\u00e3o garantir o dia seguinte, com uma for\u00e7a de garimpar e arar que admiro as tampas \u00e9 o pulso dela, o prazer dela, pra al\u00e9m da necessidade de garantir as coisas, tem um gosto e prazer pelo que escolheu trabalhar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a gente tem nossa dan\u00e7a com o pequeno, n\u00e3o \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o, tarefa ou sei l\u00e1 o que &#8216;s\u00f3 dela&#8217; garantir o bem estar do beb\u00ea. Ent\u00e3o estou eu na rua, no m\u00e9dico, na escola, no rol\u00ea, nas reuni\u00f5es ou o que quer que seja com ele, assim que ele come\u00e7ou a depender menos do leite materno, ficou mais f\u00e1cil compartilharmos os cuidados com ele.<\/p>\n<p>Retomemos ent\u00e3o as reflex\u00f5es:<\/p>\n<p>Em algum momento acalorado me lembro de emergir a palavra super pai, pai presente, ou algo do tipo. Eu de verdade n\u00e3o tenho feito esfor\u00e7o algum para ser um pai, quero h\u00e1 tantos anos poder cuidar de uma crian\u00e7a, ao contr\u00e1rio do que se prega na masculinidade de ter um filho para ter um legado onde na verdade a m\u00e3e que nutre, forma e afeta.<\/p>\n<p>Antes de ter ele, aprendi e vivenciei o m\u00e1ximo que pude, inclusive pra querer ser pai, mesmo com todo desafio que \u00e9 exaustivo e prazeroso, gratificante, mas exaustivo&#8230; meu corpo que o diga.<\/p>\n<p><span>Esses dias um amigo, me vendo em um curso com o beb\u00ea, resolveu dizer em alto e bom som em meio \u00e0 turma, que eu era um pai presente, um <\/span><a href=\"https:\/\/mundonegro.inf.br\/o-pai-negro-e-realmente-o-mais-ausente\/\" style=\"font-size: inherit; background-color: rgb(255, 255, 255); font-family: inherit; text-align: inherit; letter-spacing: 0px;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pai ativo<\/a><span> <\/span><b data-redactor-tag=\"b\" style=\"font-size: inherit; font-family: inherit; text-align: inherit; letter-spacing: 0px;\">e fiz quest\u00e3o de dizer que eu s\u00f3 era um pai<\/b><span>, n\u00e3o digo isso com humildade ou querendo ser humilde, sou leonino e sou aparecido mesmo, mas n\u00e3o mere\u00e7o e n\u00e3o estou buscando gl\u00f3rias.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   has-nested\" data-type=\"text\">\n<div class=\"ebd-block  is-nested nest-left  \" data-type=\"image\" style=\"height: 313px; text-align: center; width: auto;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"width:280px;\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_large_Foto-Bea-Reias_Foto-4.jpeg\" style=\"width:280px;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\" style=\"width:280px;\">\n\t\t\t<span>Foto: Bea Reis<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por algumas vezes termos refer\u00eancias de pais n\u00e3o totalmente envolvidos em sua paternidade (por diversos motivos e em compara\u00e7\u00e3o a carga da maternidade) que quando um pai \u00e9 quase que 100% dedicado e interessado naquele projeto de vida, assusta, incomodam, tira do eixo e as pessoas n\u00e3o sabem como lidar, n\u00e3o sabem como resolver.<\/p>\n<p>\u00c9 dado que a m\u00e3e deve passar boa parte do tempo com o filho; que \u00e9 com a m\u00e3e que a crian\u00e7a aprende as primeiras palavras, \u00e9 a partir da m\u00e3e que a crian\u00e7a percebe o mundo e tantos outros conceitos, pesquisados, validados e aculturados que sem exemplos e refer\u00eancias do lado da paternidade, neste sentido, d\u00e1 uma travada na cabe\u00e7a, no como devo me colocar, o quanto devo ceder, o quanto devo compartilhar, do que abro e n\u00e3o abro m\u00e3o dentro dessa narrativa que me trazem.<\/p>\n<p>Sinto que \u00e9 muito forte a obriga\u00e7\u00e3o divina da m\u00e3e, dizem que Deus \u00e9 t\u00e3o bom que \u00e9 como se baixasse um download na m\u00e3e e ela soubesse tudo o que o seu filho precisa, ela vai sentir, ela vai saber, ela tem que saber! Tem que saber! Qu\u00e3o violento \u00e9 isso e se a pessoa n\u00e3o sabe, tem que fingir que sabe, se a pessoa n\u00e3o sente, tem que for\u00e7ar e sentir, se tiver d\u00favida deve se calar, nunca demonstrar a ningu\u00e9m, menos ainda ao companheiro: ignor\u00e2ncia, desentendimento, d\u00favida, surpresa.<\/p>\n<p>Ela est\u00e1 sendo vigiada, por outras m\u00e3es, pela sua, pela do companheiro, pelas irm\u00e3s, vizinhas, toda a comunidade est\u00e1 a postos para dispor suas expectativas como uma avalanche sobre ela e s\u00f3 cabe a ela aceitar o peso da loucura (e nada de depress\u00e3o p\u00f3s-parto).<\/p>\n<p>E \u00e9 nesse ponto da conversa que chegamos \u00e0 abomina\u00e7\u00e3o da paternidade. <b data-redactor-tag=\"b\">Homens n\u00e3o devem cuidar de crian\u00e7as.<\/b><\/p>\n<p>Voc\u00ea sobe a viela e algu\u00e9m te aborda: nossa que bonito, \u00e9 seu filho? No outro dia, sobe novamente a viela e outra pessoa te aborda: \u00e9 seu filho? Em outro dia, vai \u00e0 padaria e lhe perguntam a mesma coisa, qual \u00e9? Por que eu estaria \u00e0s 8h, 9h da manh\u00e3, ou indo ao m\u00e9dico ou estando repetidas vezes com a mesma crian\u00e7a?<\/p>\n<p>-H\u00e1 Dimas n\u00e3o exagera, #leoninodram\u00e1tico meu.<\/p>\n<p>Ah sim ok, vou perguntar pra Simone, minha companheira, quantas vezes desde que ele nasceu perguntaram se o filho era dela. N\u00e3o, n\u00e3o perguntaram, porque \u00e9 comum uma mulher ser m\u00e3e da crian\u00e7a que porta, \u00e9 aceit\u00e1vel, \u00e9 o dever dela, est\u00e1 tudo no lugar certo, mas um homem, com bolsinha da crian\u00e7a, a carregando no colo junto ao corpo, enchendo ela de beijos e carinhos, ele n\u00e3o deveria estar ali, n\u00e3o foi assim que tudo foi pensado.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o para por ai caros amigos, e alguns de voc\u00eas sabem disso n\u00e9, j\u00e1 devem ter vivenciado a pergunta m\u00e1xima: onde est\u00e1 a m\u00e3e dessa crian\u00e7a (kkkkk nesse momento eu imagino aquelas cenas de anime: onde aparece como que a alma do personagem mostrando o que ele realmente est\u00e1 pensando e sentindo; e vejo a pessoal que me pergunta com aquela express\u00e3o maquiav\u00e9lica, s\u00e1dica e prazerosa do senhor Burns).<\/p>\n<p>Eu tive uma impress\u00e3o e uma sensa\u00e7\u00e3o com estas experi\u00eancias: a primeira \u00e9 que eu n\u00e3o tenho obriga\u00e7\u00e3o de ser pai, n\u00e3o preciso me preocupar com isso, eu <a href=\"https:\/\/medium.com\/@henriquerestier\/as-paternidades-do-homem-negro-c8feb34016f9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00e3o deveria me ocupar com cuidar de uma crian\u00e7a.<\/a><\/p>\n<p>A segunda, essa tenho certeza, mais alojada pelo machismo, foi uma leveza e um prazer, da n\u00e3o responsabilidade, aquela sensa\u00e7\u00e3o que o privil\u00e9gio d\u00e1, sabe? Aquela em que voc\u00ea pode usufruir o bem estar social que lhe foi constru\u00eddo, lhe dado, imposto e voc\u00ea nem deveria desfazer dele, pois \u00e9 uma afronta a todo um esfor\u00e7o geracional de garantir que voc\u00ea homem possa desbravar o mundo, viver suas experi\u00eancias, seu instinto, suas aspira\u00e7\u00f5es, pois toda obriga\u00e7\u00e3o e responsabilidade recair\u00e1 sobre a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Me pareceu que a qualquer momento eu tenho essa escolha bizarra de n\u00e3o ser pai do Malik, de n\u00e3o ter que me preocupar com o tipo de afeto com que afeto ele e como minhas a\u00e7\u00f5es e escolhas v\u00e3o afet\u00e1-lo. Todo um sistema muito bem desenhado para que homens n\u00e3o cuidem de crian\u00e7as.<\/p>\n<p><span>E tu como tem sido os primeiros meses de paternidade?<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como a sociedade reage aos primeiros meses de um homem sendo pai? 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