
{"id":1241,"date":"2020-09-09T13:24:55","date_gmt":"2020-09-09T16:24:55","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2020\/09\/09\/memoria-do-transporte-publico-no-jardim-joao-xxiii-vira-documentario\/"},"modified":"2024-06-29T21:12:01","modified_gmt":"2024-06-30T00:12:01","slug":"memoria-do-transporte-publico-no-jardim-joao-xxiii-vira-documentario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/contextos-perifericos\/memoria-do-transporte-publico-no-jardim-joao-xxiii-vira-documentario\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria do transporte p\u00fablico no Jardim Jo\u00e3o XXIII vira document\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>O longa metragem &#8220;At\u00e9 onde a gente vai?&#8221;, produzido pelo Coletivo da Quebrada registra as mem\u00f3rias de moradores que utilizam o \u00f4nibus&nbsp;7545-10 que sai do Jo\u00e3o XXIII e faz final na Pra\u00e7a Ramos de Azevedo. A linha foi criada na d\u00e9cada de 70 para conectar o territ\u00f3rio com a regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\" style=\"\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Diego Peralta entrevistando Lilia e Pedro Fernandes gravando dentro do \u00f4nibus 7545 (Foto: Leticia Lakatos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Jo\u00e3o XXIII \u00e9 um bairro localizado no distrito de Raposo Tavares, na zona oeste da cidade de S\u00e3o Paulo. O territ\u00f3rio nasce por volta dos anos 50 com suas primeiras ocupa\u00e7\u00f5es, nele transita a linha de \u00f4nibus municipal, 7545-10, Jo\u00e3o XXIII &#8211; Pra\u00e7a Ramos de Azevedo \u00e9 a linha que conecta o extremo da zona oeste, ao centro hist\u00f3rico de S\u00e3o Paulo. Partindo na Rua Nazir Miguel, 562 e terminando na rua R. Cel. Xavier De Toledo, 254 percorrendo mais de 20 km e fazendo 46 paradas.<\/span><\/p>\n<p>Ficar mais de uma&nbsp;hora no \u00f4nibus lotado, enfrentando tr\u00e2nsito, lota\u00e7\u00e3o, desconforto, passagens que s\u00f3 aumentam e ainda sim, criando la\u00e7os, mem\u00f3rias \u00e9 o que muitos trabalhadores que moram em regi\u00f5es mais afastadas do centro e necessitam do transporte vivenciam no seu cotidiano.<\/p>\n<p>No Jo\u00e3o XXIII, n\u00e3o \u00e9 diferente, a linha 7545-10 que tem seus primeiros registros na d\u00e9cada de 1970, \u00e9 uma das primeiras conex\u00f5es do bairro com o centro da cidade, atravessando gera\u00e7\u00f5es com seus percursos que s\u00e3o palcos de cochilos, la\u00e7os de amizades, raiva e muita mem\u00f3ria. \u00c9 a partir deste cen\u00e1rio urbano e perif\u00e9rico que nasce o document\u00e1rio &#8220;At\u00e9 onde a gente vai?&#8221;, criado pelo Coletivo da Quebrada.<\/p>\n<p>&#8220;Muita coisa mudou na cidade de S\u00e3o Paulo. Durante o s\u00e9culo XX, a cidade se expandiu demais com a migra\u00e7\u00e3o massiva de outros cantos do pa\u00eds. A nossa regi\u00e3o do Jardim Jo\u00e3o XXIII foi ocupada nos anos 1950 e 1960, com a constru\u00e7\u00e3o dos primeiros bairros. Na minha pesquisa de mestrado consegui rastrear a origem da linha 7545 pelo menos at\u00e9 1970. Muitas gera\u00e7\u00f5es pegaram essa linha e acompanharam suas mudan\u00e7as&#8221;, afirma Diego Peralta, 24, mestrando em Sociologia pela USP e integrante do Coletivo da Quebrada.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2>&#8220;O \u00f4nibus 7545 \u00e9 marcante e fundamental para regi\u00e3o do Jo\u00e3o XXIII&#8221;<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>O Coletivo da Quebrada nasce em 2017, mesmo ano que eles iniciam a constru\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio &#8220;At\u00e9 onde a gente vai?&#8221;. Pautando a quest\u00e3o do direito \u00e0 cidade dentro do Jardim Jo\u00e3o XXIII, o filme surge a partir da experi\u00eancia concreta e di\u00e1ria com as dificuldades do transporte p\u00fablico vivenciadas pelos moradores Pedro Henrique Fernandes, 24, e Alvim Almeida Silva Junior, 20.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;O document\u00e1rio vem da nossa experi\u00eancia concreta, das experi\u00eancias que eu e o Alvim estava tendo naquela \u00e9poca e ainda vive no transporte que \u00e9 a dificuldade em acessar o transporte. A gente pegava muita carona, a gente n\u00e3o conseguia pegar \u00f4nibus real, a\u00ed vem a ideia de retratar isso com os pr\u00f3prios passageiros, quem entende do transporte. N\u00e3o \u00e9 o especialista do transporte, \u00e9 quem pega ele todo dia, \u00e9 um document\u00e1rio que as pessoas que est\u00e3o fazendo e as que est\u00e3o falando tem a experi\u00eancia de estar no \u00f4nibus todos os dias&#8221;, explica Pedro Henrique, diretor do document\u00e1rio.<\/p>\n<p>Fernandes complementa descrevendo o porqu\u00ea de contar a hist\u00f3ria de passageiros do \u00f4nibus 7545 e sua import\u00e2ncia para o bairro. &#8220;O 7545 \u00e9 o \u00f4nibus mais populoso do bairro. \u00c9 o \u00f4nibus que o nome dele transformou um espa\u00e7o em ponto de encontro no bairro, a gente se encontra no 7545, as pessoas v\u00e3o l\u00e1 conversar, se ver, ele atravessa a hist\u00f3ria do bairro, ele t\u00e1 enraizado dentro de um processo hist\u00f3rico, todo mundo conhece e pega&#8221;.<\/p>\n<p>O integrante do coletivo Lucca Amaral, 28, ressalta que o transporte p\u00fablico \u00e9 marcante na vida de quem o utiliza. &#8220;N\u00e3o tem como n\u00e3o considerar o transporte p\u00fablico, principalmente o \u00f4nibus, como algo essencial e marcante na vida. O \u00f4nibus 7545 \u00e9 marcante e fundamental para regi\u00e3o do Jo\u00e3o XXIII, e foi uma forma essencial de contar hist\u00f3rias de pessoas desse territ\u00f3rio ao mesmo tempo em que se demonstram de forma cr\u00edtica os problemas e dificuldades ao acesso \u00e0 cidade.&#8221;&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.05.08.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Reuni\u00e3o do Coletivo Da Quebrada (Foto: Leticia Lakatos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2><span>&#8220;As pessoas do Jo\u00e3o XXIII s\u00e3o capazes de criar, s\u00f3 precisa de estrutura para isso&#8221;<span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><\/span><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Al\u00e9m de criar um registro hist\u00f3rico sobre as mem\u00f3rias de moradores, o document\u00e1rio gerou uma s\u00e9rie de momentos de reflex\u00f5es na equipe de produtores audiovisuais do Coletivo da Quebrada, os quais passar\u00e3o a se identificar com os personagens entrevistados durante o processo de grava\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Quando a gente tava filmando, a gente n\u00e3o tava filmando pessoas que n\u00e3o conhecemos e n\u00e3o sab\u00edamos o que elas passavam. A gente tava quase que se filmando, porque elas s\u00e3o muito parecidas com a gente. As quest\u00f5es s\u00e3o muito parecidas&#8221;, lembra Fernandes, o diretor do longa metragem.<\/p>\n<p>Ao vivenciar esse processo de escuta dos entrevistados, ele tem a n\u00edtida certeza que os moradores est\u00e3o transformando o bairro. &#8220;Tamb\u00e9m \u00e9 importante saber que o bairro t\u00e1 se mexendo, ele est\u00e1 em constante movimento, existe muita gente criando coisas, as pessoas perif\u00e9ricas s\u00e3o capazes de criar, as pessoas do Jo\u00e3o XXIII s\u00e3o capazes de criar, s\u00f3 precisa de estrutura para isso&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio retrata as hist\u00f3rias de Lilia, Amanda e Rog\u00e9rio, moradores do Jardim Jo\u00e3o XXIIII. Lilia \u00e9 uma mulher baiana que teve sua consci\u00eancia constru\u00edda na viv\u00eancia dentro de uma cidade excludente. &#8220;Lilia, a quem tive o prazer de acompanhar nas entrevistas, nascida no sul da Bahia, migrou para S\u00e3o Paulo nos anos 1990 e passou por muitas situa\u00e7\u00f5es que a conectam com muitas trabalhadoras no pa\u00eds: uma empregada dom\u00e9stica, bab\u00e1, negra e perif\u00e9rica. Ela nos contou muitas hist\u00f3rias de conflitos de classe, apuros, adapta\u00e7\u00e3o a um meio urbano hostil, mas tamb\u00e9m sobre seu filho, seu lazer na juventude. Ela nos mostrou uma consci\u00eancia constru\u00edda na viv\u00eancia de uma cidade excludente, mas onde construiu seu lar&#8221;, comenta Peralta.<\/p>\n<p>Amanda, por sua vez \u00e9 a entrevistada mais jovem do document\u00e1rio. A moradora do CDHU Munk tem outra rela\u00e7\u00e3o com o transporte, que \u00e9 o fato de n\u00e3o conseguir us\u00e1-lo por n\u00e3o ter dinheiro da passagem, gerando os n\u00e3o acessos \u00e0 cidade, impactando no direito de estudar.<\/p>\n<p>&#8220;Amanda \u00e9 conhecida no cursinho popular do bairro, o Claudia Silva Ferreira, a mais jovem dos personagens. Ela batalha para ser aprovada no vestibular e entrar na universidade p\u00fablica para cursar Letras. Nessa luta di\u00e1ria enfrenta as mais diversas quest\u00f5es: falta de dinheiro para ajudar em casa e para pegar o transporte para ir estudar, o desafio de ir e voltar de noite para ir ao Cursinho, que s\u00e3o mais de 2 km de caminhada, sozinha em ruas vazias e mal iluminadas, batalhando para estudar&#8221;, descreve Peralta.<\/p>\n<p>O \u00faltimo personagem a ser entrevistado \u00e9 Rog\u00e9rio. Ele \u00e9 morador de uma das principais ocupa\u00e7\u00f5es do bairro o &#8220;Pelourinho&#8221;. Ele conta nas entrevistas sobre os desafios de cruzar a cidade todos os dias para chegar ao trabalho. &#8220;Eu quis participar porque eu achei que ali seria uma oportunidade como cidad\u00e3o e morador do bairro de expor minha opini\u00e3o, at\u00e9 mesmo na parte cr\u00edtica da situa\u00e7\u00e3o do \u00f4nibus da cidade e do nosso bairro, o trajeto que eu fa\u00e7o at\u00e9 meu trabalho se eu fizer ele todo de \u00f4nibus eu vou gastar mais de 2 horas, se for um dia de chuva \u00e9 mais de 3 horas, por isso eu optei por usar a bicicleta, a\u00ed eu vou com o 7545, at\u00e9 a faria lima e de l\u00e1 pedalo mais 25 minutos at\u00e9 meu trabalho&#8221;, retrata Rog\u00e9rio da Silva Cruz, 36.<\/p>\n<p>Fernandes, o diretor do document\u00e1rio diz que encontrou sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria dentro da hist\u00f3ria dos personagens. &#8220;A gente encontrou hist\u00f3rias muito parecidas com as nossas, a gente encontrou as nossas hist\u00f3rias dentro do transporte e foi isso, uma quest\u00e3o de reconhecimento, a gente se reconheceu dentro do \u00f4nibus, a gente se reconheceu na Lilian, no Rog\u00e9rio, eu encontrei a minha hist\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   has-nested\" data-type=\"thumbnails\">\n<div class=\"eb-thumbs\">\n<div class=\"eb-thumbs-col\">\n<div class=\"eb-thumb\" data-position=\"0\">\n<div>\n<div class=\"ebd-block  is-nested is-isolated  \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center; width: 100%;\">\n<div class=\"eb-image is-fluid style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"padding-top:75%;\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.05.09.jpeg\" title=\"(Foto: Leticia Lakatos)\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.05.09.jpeg\" title=\"(Foto: Leticia Lakatos)\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.05.09.jpeg\" title=\"(Foto: Leticia Lakatos)\">\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_small_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.05.09.jpeg\" style=\"width:100%;height:100%;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\" style=\"width:100%;\">\n\t\t\t<span>(Foto: Leticia Lakatos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-thumb\" data-position=\"2\">\n<div>\n<div class=\"ebd-block  is-nested is-isolated  \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center; width: 100%;\">\n<div class=\"eb-image is-fluid style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"padding-top:75%;\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.42-2.jpeg\" title=\"(Foto: Leticia Lakatos)\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.42-2.jpeg\" title=\"(Foto: Leticia Lakatos)\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.42-2.jpeg\" title=\"(Foto: Leticia Lakatos)\">\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_small_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.42-2.jpeg\" style=\"width:100%;height:100%;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\" style=\"width:100%;\">\n\t\t\t<span>(Foto: Leticia Lakatos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-thumbs-col\">\n<div class=\"eb-thumb\" data-position=\"4\">\n<div>\n<div class=\"ebd-block  is-nested is-isolated  \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center; width: 100%;\">\n<div class=\"eb-image is-fluid style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"padding-top:75%;\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.42-_20200908-165526_1.jpeg\" title=\" (Foto: Alvim Almeida)\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.42-_20200908-165526_1.jpeg\" title=\" (Foto: Alvim Almeida)\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.42-_20200908-165526_1.jpeg\" title=\" (Foto: Alvim Almeida)\">\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_small_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.42-_20200908-165526_1.jpeg\" style=\"width:100%;height:100%;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\" style=\"width:100%;\">\n\t\t\t<span> (Foto: Alvim Almeida)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-thumb\" data-position=\"3\" style=\"position: relative; top: 0px; left: 0px;\">\n<div>\n<div class=\"ebd-block  is-nested is-isolated  \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center; width: 100%;\">\n<div class=\"eb-image is-fluid style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"padding-top:75%;\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.42-3.jpeg\" title=\"(Foto: Leticia Lakatos)\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.42-3.jpeg\" title=\"(Foto: Leticia Lakatos)\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.42-3.jpeg\" title=\"(Foto: Leticia Lakatos)\">\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_small_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.42-3.jpeg\" style=\"width:100%;height:100%;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\" style=\"width:100%;\">\n\t\t\t<span>(Foto: Leticia Lakatos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-thumbs-col\">\n<div class=\"eb-thumb\" data-position=\"1\" style=\"position: relative; top: 0px; left: 0px;\">\n<div>\n<div class=\"ebd-block  is-nested is-isolated  \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center; width: 100%;\">\n<div class=\"eb-image is-fluid style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"padding-top:133.33333333333%;\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.41.jpeg\" title=\"(Foto: Leticia Lakatos)\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.41.jpeg\" title=\"(Foto: Leticia Lakatos)\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/660\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.41.jpeg\" title=\"(Foto: Leticia Lakatos)\">\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_small_WhatsApp-Image-2020-07-15-at-20.10.41.jpeg\" style=\"width:100%;height:100%;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\" style=\"width:100%;\">\n\t\t\t<span>(Foto: Leticia Lakatos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2>\n<span>&nbsp;<\/span>&#8220;Quando assisti me senti representada&#8221;<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>O document\u00e1rio estreou no Youtube em 27 de junho, e desde l\u00e1 j\u00e1 teve tr\u00eas apresenta\u00e7\u00f5es online, com direito a uma roda de conversa com a equipe que o produziu. &#8220;Teve tr\u00eas apresenta\u00e7\u00f5es e as respostas foram muito boas. Toda vez que acabava a gente recebia mensagem, como a gente fez na op\u00e7\u00e3o de estr\u00e9ia do YouTube o pessoal podia comentar enquanto passava o filme, muita gente comentando, dando parab\u00e9ns, o pessoal comentando sobre as falas dos personagens, isso foi muito da hora&#8221;, exclama Fernandes.<\/p>\n<p>Ele ressalta que a intera\u00e7\u00e3o das pessoas e os elogios recebidos refor\u00e7am a import\u00e2ncia do trabalho coletivo nas periferias. &#8220;Foi muito legal ver as intera\u00e7\u00f5es, ver os elogios, porque \u00e9 isso, n\u00f3s perif\u00e9ricos estamos tentando apoiar um ao outro, e teve esse apoio muito forte, foi um processo que a gente se sentiu bem com as respostas, e esperamos que possa acontecer presencialmente em algum momento&#8221;.<\/p>\n<p>Para os moradores do bairro, o document\u00e1rio causou emo\u00e7\u00e3o e um sentimento de reconhecimento tanto nas hist\u00f3rias quanto nas quest\u00f5es que eles vivenciam com o transporte p\u00fablico. A moradora Jaqueline Lucena, 21, estudante de dan\u00e7a comenta como se sentiu ao assistir o filme. &#8220;De primeira, me senti emocionada. Ver um trabalho como esse ser desenrolado, pensado e produzido por pessoas do bairro, e ainda mais emocionada por conhecer as pessoas. Quando assisti me senti representada, por me enxergar nas pessoas que produziram e nas hist\u00f3rias retratadas&#8221;.<\/p>\n<p>Ela afirma que al\u00e9m do sentimento de representatividade e orgulho da qualidade do filme, tamb\u00e9m rolou espa\u00e7o para manifestar suas indigna\u00e7\u00f5es com o estado do transporte p\u00fablico no bairro. &#8220;Tamb\u00e9m me senti muito indignada de ver o quanto n\u00f3s, pessoas pobres e perif\u00e9ricas somos submetidas ao desgaste extremo que n\u00e3o \u00e9 apenas na explora\u00e7\u00e3o do nosso trabalho, mas como somos castigados em todo o trajeto at\u00e9 o trabalho&#8221;.<\/p>\n<p>Lucena destaca a import\u00e2ncia afirmando o quanto ele \u00e9 importante para os moradores n\u00e3o normatizar as viol\u00eancias que sofrem no cotidiano, como o aumento da passagem quanto o trajeto em si em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias. &#8220;O filme \u00e9 muito importante tanto para o contexto hist\u00f3rico do bairro, de estar contando nossas hist\u00f3rias, e registrando, quanto para ajudar as pessoas a deixar de normatizar os aumentos de passagens, as precariedades e lota\u00e7\u00f5es no transporte, pagamos o transporte duas vezes, nos impostos e nos pre\u00e7os das passagens, e isso n\u00e3o \u00e9 normal, a passagem aumenta praticamente todo o ano, e tem mais lota\u00e7\u00f5es, menos linhas, menos \u00f4nibus circulando, o filme incentiva a gente a lutar por condi\u00e7\u00f5es melhores de transporte na cidade e principalmente no nosso bairro&#8221;.<\/p>\n<p>Rog\u00e9rio que teve sua hist\u00f3ria retratada no document\u00e1rio comentou como se sentiu vendo o filme pronto pela primeira vez e a import\u00e2ncia de uma produ\u00e7\u00e3o assim para os moradores e para o territ\u00f3rio do Jo\u00e3o XXIII.<\/p>\n<p><span>&#8220;Eu me senti um pouco com medo. Ser\u00e1 que eu falei alguma besteira? Mas fiquei muito feliz depois que vi, falei com o cora\u00e7\u00e3o, fiquei muito feliz em poder contribuir em um document\u00e1rio que \u00e9 muito importante para o bairro, porque ele trata de hist\u00f3rias reais do dia dia, de pessoas que pegam \u00f4nibus, \u00e9 importante mostrar nosso lado da situa\u00e7\u00e3o, a dificuldade que \u00e9 de voc\u00ea chegar no seu trabalho, a dificuldade do transporte p\u00fablico na cidade, voc\u00ea consegue expor isso para as pessoas que v\u00e3o assistir, porque s\u00f3 quem sabe de verdade \u00e9 quem vive todos os dias&#8221;.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   has-nested\" data-type=\"gallery\">\n<div class=\"eb-gallery\">\n<div class=\"eb-gallery-stage\" data-plupload-drop-element=\"\">\n<div class=\"eb-gallery-viewport\" style=\"left: -100%;\">\n<div class=\"eb-gallery-item\" data-id=\"g05687190302538605\" style=\"left: 0%;\">\n<div class=\"ebd-block  is-nested is-isolated  \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center; width: 100%;\">\n<div class=\"eb-image is-fluid style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"padding-top:56.25%;\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-20-at-22.57.55.jpeg\" style=\"width:98.063%;height:100%;top:0%;left:0.969%;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\" style=\"width:100%;\">\n\t\t\t<span>(Foto: Pedro Fernandes)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-item active\" data-id=\"g003189294371213336\" style=\"left: 100%;\">\n<div class=\"ebd-block  is-nested is-isolated  \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center; width: 100%;\">\n<div class=\"eb-image is-fluid style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"padding-top:56.25%;\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-07-20-at-22.57.54.jpeg\" style=\"width:100%;height:99.895%;top:0.053%;left:0%;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\" style=\"width:100%;\">\n\t\t\t<span>(Foto: Pedro Fernandes)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-item\" data-id=\"g05707860072750046\" style=\"left: 200%;\">\n<div class=\"ebd-block  is-nested is-isolated  \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center; width: 100%;\">\n<div class=\"eb-image is-fluid style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"padding-top:56.25%;\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-09-08-at-14.24.41-1.jpeg\" style=\"width:72.919%;height:100%;top:0%;left:13.541%;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\" style=\"width:100%;\">\n\t\t\t<span>(Foto: Pedro Fernandes)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-item\" data-id=\"g04349119934772381\" style=\"left: 300%;\">\n<div class=\"ebd-block  is-nested is-isolated  \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center; width: 100%;\">\n<div class=\"eb-image is-fluid style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"padding-top:56.25%;\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2020-09-08-at-14.24.41.jpeg\" style=\"width:97.459%;height:100%;top:0%;left:1.271%;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\" style=\"width:100%;\">\n\t\t\t<span>(Foto: Pedro Fernandes)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-button eb-gallery-next-button\">\n<i class=\"fa fa-chevron-right\"><\/i><\/div>\n<div class=\"eb-gallery-button eb-gallery-prev-button\">\n<i class=\"fa fa-chevron-left\"><\/i><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-menu\">\n<div class=\"eb-gallery-menu-item\" data-id=\"g05687190302538605\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-menu-item active\" data-id=\"g003189294371213336\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-menu-item\" data-id=\"g05707860072750046\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-menu-item\" data-id=\"g04349119934772381\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2>\n&#8220;N\u00e3o acontecer nada \u00e9 o que faz a mobilidade urbana n\u00e3o contemplar a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica&#8221;<span>&nbsp;<\/span><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>&#8220;A geografia da quebrada \u00e9 complexa, em geral o que podemos dizer \u00e9 que os processos hist\u00f3ricos que levaram \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das periferias s\u00e3o muito semelhantes entre si, embora cada uma tenha a sua particularidade, aqui na regi\u00e3o temos o ic\u00f4nico 7545, todo mundo pega ele, desde que me entendo por moradora do bairro, ou\u00e7o boatos que essa linha vai cortar e sempre me pergunto como?&#8221;, questiona Hellen Almeida, 25, graduanda em geografia pelo Instituto Federal de S\u00e3o Paulo e moradora do Jo\u00e3o XXIII.<\/p>\n<p>Ela analisa a rela\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico no contexto da quebrada e prop\u00f5e o aumento da frota de \u00f4nibus para suprir a crescente demanda de passageiros. &#8220;\u00c9 o \u00f4nibus mais lotado da quebrada, o ideal seria aumentarem a quantidade de \u00f4nibus dispon\u00edvel, n\u00e3o cortar as linhas j\u00e1 existentes, felizmente esse \u00f4nibus n\u00e3o foi cortado, mas tamb\u00e9m n\u00e3o ampliaram nada, acho que esse &#8216;n\u00e3o acontecer nada&#8217; \u00e9 o que faz a mobilidade urbana n\u00e3o contemplar a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica enquanto a demanda por transporte aumenta, a tarifa sobe e a oferta de \u00f4nibus n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A estudante de geografia afirma que para haver mudan\u00e7as importantes na forma de pensar a mobilidade urbana na cidade seria necess\u00e1rio incluir os moradores nos processo de elabora\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es. &#8220;Para contemplar de fato os moradores, o transporte coletivo deveria ser pensado de forma coletiva, de acordo com as demandas dos usu\u00e1rios. Existem os Conselhos Gestores, que s\u00e3o &#8216;tentativas&#8217; de democratiza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o p\u00fablica, mas sinceramente, ter\u00e7a-feira \u00e0s 14h da tarde \u00e9 um hor\u00e1rio que prioriza a participa\u00e7\u00e3o de quem? A maioria dessas reuni\u00f5es acontece em hor\u00e1rios que torna invi\u00e1vel a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, que, muitas vezes, sequer \u00e9 informada de sua exist\u00eancia ou, quando sabem da exist\u00eancia, mal tem o direito de falar quais s\u00e3o suas demandas&#8221;.<\/p>\n<p>Almeida complementa dizendo que o transporte dentro do bairro acaba se tornando um espa\u00e7o de encontro entre os moradores, por passarem mais tempo dentro do transporte. &#8220;Se encararmos o transporte coletivo como um local de passagem no qual grande parte da popula\u00e7\u00e3o da quebrada passa bastante tempo, podemos dizer que ele possibilita o encontro entre moradores, n\u00e3o por ser um espa\u00e7o agrad\u00e1vel de socializa\u00e7\u00e3o, mas porque as pessoas acabam se encontrando nele, sendo, muitas vezes, um local de intera\u00e7\u00e3o social por conta das v\u00e1rias horas que se passa dentro dele&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"youtube\">\n<div class=\"youtube-embed video-embed-wrapper is-responsive\">\n\t<iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HVtmwDCXZOw?feature=oembed\" width=\"480\" height=\"270\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>&nbsp;<span>A ge\u00f3grafa tamb\u00e9m aponta que os jovens da quebrada usufruem do transporte de formas diferentes. &#8220;Para os jovens da quebrada o uso do transporte coletivo \u00e9 diferente. Podemos falar em uma infinidade de situa\u00e7\u00f5es, mas cabe destacar algumas: existe o jovem que usa o transporte para ir \u00e0 escola; existe o jovem que trabalha e estuda; existe o jovem que n\u00e3o usa o transporte coletivo por n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de bancar a passagem e acaba por ter acesso somente aos locais onde puder ir a p\u00e9, de skate ou bicicleta. O direito a cidade \u00e9 um direito que as pessoas s\u00f3 acessam se tiverem condi\u00e7\u00f5es financeiras para arcar com ele e as catracas ainda s\u00e3o um empecilho muito grande para o jovem perif\u00e9rico&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Almeida reafirma as dificuldades no transporte de hoje, apontando que o valor da tarifa n\u00e3o equivale \u00e0 qualidade de experi\u00eancia de pegar um \u00f4nibus em S\u00e3o Paulo. &#8220;Existem in\u00fameras dificuldades em utilizar o transporte: a superlota\u00e7\u00e3o, o estado de conserva\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o da passagem. Ano ap\u00f3s ano o valor da passagem de \u00f4nibus aumenta e a qualidade n\u00e3o acompanha esse acr\u00e9scimo da tarifa. Algumas linhas de \u00f4nibus demoram absurdamente, o que faz com que fiquem ainda mais lotados. Recentemente passaram a trocar alguns \u00f4nibus velhos por modelos mais novos, com ar condicionado, etc., mas essa era somente uma das quest\u00f5es que precisam ser melhoradas, mesmo porque o transporte \u00e9 extremamente caro&#8221;.<\/p>\n<p>Ela acredita que por conta da pandemia, o transporte p\u00fablico se tornou ainda mais problem\u00e1tico e perigoso para a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica. &#8220;As pessoas precisam usar m\u00e1scara ao entrar no transporte coletivo, o que \u00e9 important\u00edssimo, mas n\u00e3o resolve uma grande parcela do problema: n\u00e3o existe distanciamento seguro em um \u00f4nibus lotado. Muitas vezes as pessoas v\u00e3o quase encaixadas umas nas outras, sem ventila\u00e7\u00e3o. A pergunta que fica \u00e9: o transporte coletivo \u00e9 seguro? E a resposta pode ser categ\u00f3rica: obviamente que n\u00e3o! Se j\u00e1 n\u00e3o era seguro, pois grande parte das pessoas ficam em p\u00e9, segurando em barras, durante um tempo consider\u00e1vel, agora com toda essa quest\u00e3o das necessidades de cuidados sanit\u00e1rios s\u00e3o menos ainda.&#8221;<\/p>\n<p>Engajada em estudar formas de combater as injusti\u00e7as sociais presentes no transporte p\u00fablico, Gabriela Dantas, 26, integrante do Movimento Passe Livre, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que vem estudando formas de garantir uma tarifa menos abusiva para a popula\u00e7\u00e3o, principalmente pautando a tarifa zero na cidade de S\u00e3o Paulo, fala sobre a import\u00e2ncia do document\u00e1rio para a discuss\u00e3o do acesso ao transporte dentro das periferias.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto mais gente tiver materiais e m\u00eddias que contam a hist\u00f3ria desde baixo, da perspectiva de quem mora nas periferias e sente na pele o que \u00e9 depender de um transporte prec\u00e1rio e muito caro, mais a gente fortalece a nossa voz e o nosso alcance. Porque pra conseguir mudar de fato esse sistema, a gente vai precisar de muita gente junta. A grande m\u00eddia muitas vezes n\u00e3o divulga a real situa\u00e7\u00e3o vivida pela maioria da popula\u00e7\u00e3o e nem as lutas que acontecem nas periferias, mas por isso mesmo \u00e9 importante a gente ter canais para mostrar isso tudo nos nossos termos, mostrar que outro transporte \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio&#8221;, afirma Dantas.<\/p>\n<p>Em uma situa\u00e7\u00e3o extrema como a pandemia de covid-19, era de esperar que a circula\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus aumentasse na cidade para a lota\u00e7\u00e3o diminuir, mas em 24 de Junho deste ano, a SPTrans, empresa vinculada \u00e0 Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, publicou no di\u00e1rio oficial a retirada de 988 \u00f4nibus da frota das linhas municipais. A decis\u00e3o causou um grande impacto nas periferias, territ\u00f3rios onde os moradores precisavam antes mesmo da pandemia de melhores condi\u00e7\u00f5es de ir e voltar do trabalho.<\/p>\n<p>Dantas aponta que essa redu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pol\u00edtica de morte. &#8220;A redu\u00e7\u00e3o da frota de \u00f4nibus como resposta \u00e0 pandemia \u00e9 uma pol\u00edtica de morte. Em vez de a prefeitura fazer medidas para diminuir as necessidades de deslocamento das pessoas, diminui os meios de transporte. Isso torna as viagens de quem precisa sair de casa pra trabalhar ainda mais prec\u00e1rias e arriscadas. O transporte coletivo hoje \u00e9 um dos principais espa\u00e7os de transmiss\u00e3o do v\u00edrus porque tem gerado muita aglomera\u00e7\u00e3o. E j\u00e1 foi mostrado que isso acontece principalmente nos trajetos que saem da periferia, onde est\u00e1 a maioria das pessoas que n\u00e3o tem o privil\u00e9gio de ficar de quarentena e trabalhar em casa.<\/p>\n<p>A integrante do Movimento Passe Livre finaliza comentando a import\u00e2ncia de mobilizar os moradores dentro dos bairros para ampliar as discuss\u00f5es sobre o transporte p\u00fablico na cidade. &#8220;N\u00e3o existe uma \u00fanica receita de mobiliza\u00e7\u00e3o, mas podemos aprender com experi\u00eancias que j\u00e1 deram certo. D\u00e1 pra organizar conversas entre moradores em espa\u00e7os de encontro, fazer e distribuir panfletos ou materiais que falem da situa\u00e7\u00e3o do transporte, fazer abaixo-assinados contra cortes de linha ou por outras demandas e at\u00e9 fazer manifesta\u00e7\u00f5es, inclusive para levar esses abaixo-assinados at\u00e9 a subprefeitura&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O longa metragem &#8220;At\u00e9 onde a gente vai?&#8221;, produzido pelo Coletivo da Quebrada registra as mem\u00f3rias de moradores que utilizam o \u00f4nibus&nbsp;7545-10 que sai do Jo\u00e3o XXIII e faz final na Pra\u00e7a Ramos de Azevedo. A linha foi criada na d\u00e9cada de 70 para conectar o territ\u00f3rio com a regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo.&nbsp; Diego [&hellip;]&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":1230,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[88,47,92,39,26,31,59,32],"ppma_author":[77],"class_list":["post-1241","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-contextos-perifericos","tag-cinema-de-quebrada","tag-contextos-perifericos","tag-direito-a-cidade","tag-jornalismo-de-quebrada","tag-jornalismo-periferico","tag-mobilidade-urbana","tag-politicas-publicas","tag-transporte-publico"],"acf":[],"authors":[{"term_id":77,"user_id":6,"is_guest":0,"slug":"vitoria-reporterpoliticagmail-com","display_name":"Vit\u00f3ria Guilhermina","avatar_url":{"url":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Foto-Vitoria.jpeg","url2x":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Foto-Vitoria.jpeg"},"first_name":"Vit\u00f3ria","last_name":"Guilhermina","user_url":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/","job_title":"","description":"<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/xxvitoriaalves\"><i><\/i> \/xxvitoriaalves<\/a>\r\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/_vitoriaae\/\"><i> <\/i> @_vitoriaae<\/a>\r\nMoradora do Rio Pequeno, zona oeste de S\u00e3o Paulo, Vit\u00f3ria Guilhermina, 20, \u00e9 formada em Orienta\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria pela Etec CEPAM. Em 2018 ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Ela atua em seu territ\u00f3rio com projetos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, como o Cursinho Livre Cl\u00e1udia Silva Ferreira. 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