
{"id":1219,"date":"2020-09-04T14:42:57","date_gmt":"2020-09-04T17:42:57","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2020\/09\/04\/o-audiovisual-me-trouxe-a-possibilidade-de-sonhar-diz-cineasta-da-quebrada\/"},"modified":"2024-06-29T21:12:04","modified_gmt":"2024-06-30T00:12:04","slug":"o-audiovisual-me-trouxe-a-possibilidade-de-sonhar-diz-cineasta-da-quebrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/quebrada-tech\/o-audiovisual-me-trouxe-a-possibilidade-de-sonhar-diz-cineasta-da-quebrada\/","title":{"rendered":"\u201cO audiovisual me trouxe a possibilidade de sonhar\u201d, diz cineasta da quebrada"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><i data-redactor-tag=\"i\">Vamos mostrar os caminhos e desafios que uma profissional do audiovisual da quebrada precisa trilhar para acessar conhecimento te\u00f3rico, t\u00e9cnico e equipamentos, que poucos moradores das periferias t\u00eam acesso.<\/i><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Durante a pandemia, a cineasta iniciou um processo de registrar as a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias em curso em diversas quebradas de S\u00e3o Paulo para produzir o filme \u201cPandemia do Sistema\u201d | Foto: Kaique Boaventura<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar como as tecnologias do audiovisual podem impactar a vida e o imagin\u00e1rio dos moradores das periferias? Equipamentos, softwares e cursos de produ\u00e7\u00e3o audiovisual formam um conjunto de t\u00e9cnicas e saberes que poucos brasileiros t\u00eam acesso no mundo digital, se levarmos em conta que a internet ainda n\u00e3o \u00e9 universalizada no Brasil, e as periferias fazem parte deste cen\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p>A fot\u00f3grafa, videomaker e fundadora da produtora Zalika Produ\u00e7\u00f5es, Nan\u00e1 Prud\u00eancio se reconhece como uma &#8216;Preta nerds&#8217;, por entender que a tecnologia alimenta seus sonhos e a capacidade de interpretar o mundo a sua volta. A moradora do Parque Pinheiros, bairro do munic\u00edpio de Tabo\u00e3o da Serra utiliza o acesso \u00e0 tecnologia para aprender novas t\u00e9cnicas de audiovisual e se aprimorar.<\/p>\n<p>&#8220;Eu vou indo, agora to na fase da ilustra\u00e7\u00e3o, j\u00e1 tive a fase do v\u00eddeo, tive a fase do drone, vou indo de pouquinho e tento sugar o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00e3o naquele segmento do audiovisual&#8221;, diz a produtora, que atrav\u00e9s de novas refer\u00eancias e aprendizados tenta criar suas pr\u00f3prias t\u00e9cnicas para ampliar o repert\u00f3rio de conte\u00fado da Zalika produ\u00e7\u00f5es. &#8220;Depois da ilustra\u00e7\u00e3o, eu quero ser craque em tratamento de cor, eu quero deixar os v\u00eddeo tipo o Kondzilla t\u00e1 ligado&#8221;.<\/p>\n<p>Mas esse acesso a tecnologia que a videomaker se refere faz parte de um processo de adapta\u00e7\u00e3o, para suprir suas d\u00favidas com o audiovisual, pois ela relembra que quando era mais nova, essa cultura do acesso a informa\u00e7\u00e3o era algo bem raro em seu cotidiano. &#8220;O m\u00e1ximo de acesso que a gente tinha era um computador velho, travava toda hora e televis\u00e3o&#8221;, afirma a produtora.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_large_Creditos_Nina_Vieira.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>O acesso \u00e0s tecnologias audiovisuais levaram Nan\u00e1 a realizar projetos em pa\u00edses africanos | Foto: Nina Vieira<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Ap\u00f3s uma s\u00e9rie de experi\u00eancias profissionais bem sucedidas e outras nem tanto, ela faz uma breve reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da tecnologia em sua vida hoje. &#8220;A tecnologia me faz ir pra esse mundo de entender cada movimento que est\u00e1 acontecendo ao meu redor, seja no meu computador, na minha c\u00e2mera, seja no drone&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Antes de conseguir estruturar esse processo de produ\u00e7\u00e3o audiovisual com qualidade de imagem, som e narrativa, ela conta que as tecnologias do audiovisual transformaram a sua vida. &#8220;Eu acho que o audiovisual me trouxe a possibilidade de sonhar sabe. Antes do audiovisual, eu tava sem vontade nenhuma de sonhar&#8221;, afirma Prud\u00eancio.<\/p>\n<p>Ela lembra que o interesse pela produ\u00e7\u00e3o audiovisual surgiu na quebrada onde ela mora, no Parque Pinheiros. Foi a partir do envolvimento com movimentos culturais e sociais do territ\u00f3rio que surgiram as primeiras oportunidades de fotografar eventos culturais e esportivos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho que a v\u00e1rzea foi um grande ponto pra eu entrar na fotografia, porque eu fa\u00e7o parte de um time de v\u00e1rzea e a gente faz as festas das crian\u00e7as, essas coisas. E a oportunidade veio a\u00ed, toda vez que tinha festa das crian\u00e7as os meninos jogavam uma c\u00e2mera na minha m\u00e3o, e eu come\u00e7ava a tirar umas fotos&#8221;, relata a produtora audiovisual sobre o in\u00edcio de sua carreira registrando partidas de futebol de v\u00e1rzea na quebrada.<\/p>\n<p>Come\u00e7ando por esse ponto de partida, Nana conta que pegava uma c\u00e2mera emprestada para treinar e produzir conte\u00fados audiovisuais, e assim, ela conseguiu uma bolsa de 50% para ingressar no curso de audiovisual na faculdade. &#8220;Antes de fazer a faculdade eu j\u00e1 tava tirando umas fotinhas l\u00e1 e c\u00e1, com c\u00e2mera emprestada&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/b2ap3_large_creditos_Daniel_Fagundes.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span> A imagem da quebrada ao fundo demonstra o pertencimento da cineasta ao bairro que ela deu os primeiros cliques como fotografa de eventos culturais e esportivos | Foto: Daniel Fagundes<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Ela ressalta que a partir deste momento, surgiu a oportunidade de fazer o primeiro est\u00e1gio em uma produtora audiovisual. No entanto, Nan\u00e1 n\u00e3o se sentiu pertencente \u00e0s narrativas produzidas pela empresa, pois elas n\u00e3o falavam sobre ela, os moradores das periferias e a cultura da quebrada.<\/p>\n<p>&#8220;Eu j\u00e1 me via uma profissional do audiovisual, fazia c\u00e2mera, fazia edi\u00e7\u00e3o, trabalhava com produtora de desfile de moda, mas n\u00e3o estava satisfeita&#8221;, afirma ela, que a partir da sua insatisfa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o identifica\u00e7\u00e3o com o conte\u00fado resolveu investir sua experi\u00eancia profissional para criar a sua pr\u00f3pria produtora, com sua identidade. Nesse cen\u00e1rio, nasce a Zalika Produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo Nan\u00e1, a Zalika Produ\u00e7\u00f5es tem proposta de realizar projetos audiovisuais, art\u00edsticos, educacionais e culturais. Buscamos inspira\u00e7\u00e3o em comunidades e grupos culturais marginalizados para produzir e apresentar conte\u00fados transformadores em forma de arte e com novas narrativas.<\/p>\n<p>Construir novos saberes e narrativas, a partir de hist\u00f3rias de pessoas perif\u00e9ricas que representam de fato o seu cotidiano. Esse \u00e9 o prop\u00f3sito da produtora audiovisual.Ela destaca que a cria\u00e7\u00e3o da produtora est\u00e1 conectada com a sua autoafirma\u00e7\u00e3o profissional. &#8220;Eu acho que o in\u00edcio da Zalika foi eu acreditar que eu ia ter que construir o meu espa\u00e7o sabe, n\u00e3o s\u00f3 pra mim, mas pras pessoas pretas, principalmente mulheres pretas&#8221;.<\/p>\n<p>Durante a pandemia, Nan\u00e1 iniciou um processo de registrar as a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias em curso em diversas quebradas de S\u00e3o Paulo para produzir o filme &#8220;Pandemia do Sistema&#8221;, que aborda como o racismo, o desemprego, a insufici\u00eancia no atendimento de sa\u00fade nos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos durante a pandemia do novo coronav\u00edrus resultam em uma f\u00f3rmula genocida.<\/p>\n<p><span>&#8220;Surgiu nessa ideia de mostrar pra n\u00f3s da quebrada, que tem gente passando fome, tem gente na mis\u00e9ria na sua rua, na sua viela, no seu bairro, no seu quarteir\u00e3o, e mostrar pro sistema em geral que n\u00f3s n\u00e3o tamo de chap\u00e9u, a gente sabe o que ta acontecendo e a gente sabe que a popula\u00e7\u00e3o preta e perif\u00e9rica \u00e9 a que mais ta morrendo de covid-19, porque \u00e9 a que mais morre de tudo mesmo&#8221;, argumenta Nan\u00e1, fazendo um breve resumo sobre o document\u00e1rio.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos mostrar os caminhos e desafios que uma profissional do audiovisual da quebrada precisa trilhar para acessar conhecimento te\u00f3rico, t\u00e9cnico e equipamentos, que poucos moradores das periferias t\u00eam acesso.&nbsp; Durante a pandemia, a cineasta iniciou um processo de registrar as a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias em curso em diversas quebradas de S\u00e3o Paulo para produzir o filme \u201cPandemia [&hellip;]&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1216,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[89,88,86,87,53,25,90],"ppma_author":[76],"class_list":["post-1219","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-quebrada-tech","tag-cinema","tag-cinema-de-quebrada","tag-entrevista","tag-mulheres-no-audiovisual","tag-periferias","tag-quebrada-tech","tag-tecnologias-audiovisuais"],"acf":[],"authors":[{"term_id":76,"user_id":4,"is_guest":0,"slug":"tamires-reportergmail-com","display_name":"Tamires Rodrigues","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/35c215435a0f86a060c20a4bd4798603805a5f3102383dc9b62822b867089d1e?s=96&d=mm&r=g","first_name":"Tamires","last_name":"Rodrigues","user_url":"http:\/\/","job_title":"","description":"<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/tamires.rodrigues.10421\"><i><\/i> \/tamires.rodrigues.10421<\/a>\r\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tamy_rodriigues\/\"><i> <\/i> @tamy_rodriigues<\/a>\r\nTamires Rodrigues, 23, \u00e9 estudante de an\u00e1lise e desenvolvimento de sistemas e moradora do Jardim \u00c2ngela, zona sul de S\u00e3o Paulo. Em 2018, ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Atrav\u00e9s da escrita e da escuta ativa, ela pauta a tecnologia contando a hist\u00f3rias de moradores e projetos das periferias e favelas, para transformar seu imagin\u00e1rio sobre a quebrada."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1219","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1219"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1219\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3124,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1219\/revisions\/3124"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1216"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1219"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}