
{"id":1211,"date":"2020-08-28T15:11:23","date_gmt":"2020-08-28T18:11:23","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2020\/08\/28\/projeto-transforma-whatsapp-em-canal-de-direitos-das-domesticas\/"},"modified":"2024-06-29T21:12:09","modified_gmt":"2024-06-30T00:12:09","slug":"projeto-transforma-whatsapp-em-canal-de-direitos-das-domesticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/quebrada-tech\/projeto-transforma-whatsapp-em-canal-de-direitos-das-domesticas\/","title":{"rendered":"Projeto transforma WhatsApp em canal de direitos sociais das dom\u00e9sticas"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p> <i data-redactor-tag=\"i\">Como um grupo de WhatsApp est\u00e1 contribuindo com o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es sobre direitos trabalhistas das empregadas dom\u00e9sticas que vivem nas periferias? <\/i><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\" style=\"\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Selma Sousa, moradora da zona leste de S\u00e3o Paulo usa constantemente o Zap Zap das Dom\u00e9sticas | Foto: Emerson Santos<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Atingidas pela crise econ\u00f4mica gerada pela pandemia de coronav\u00edrus, as empregadas dom\u00e9sticas perderam postos de trabalho ou tiveram seus sal\u00e1rios reduzidos para continuar no emprego. Por tr\u00e1s de trajet\u00f3rias de vida, se encontra tamb\u00e9m a figura de mulheres que cuidam do n\u00facleo familiar e convivem com uma s\u00e9rie de sonhos que ainda n\u00e3o foram alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p>O que \u00e9 certo e errado na rela\u00e7\u00e3o entre empregadores e empregadas dom\u00e9sticas? Como esses profissionais acessam informa\u00e7\u00f5es sobre seus direitos trabalhistas? A partir destas quest\u00f5es, o Quebrada Tech conversou com algumas profissionais que dedicaram parte da sua vida ao ramo de servi\u00e7os dom\u00e9sticos, para entender como elas est\u00e3o lidando com as adversidades sobre o consumo de informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis e \u00fateis neste momento de pandemia.<\/p>\n<p>H\u00e1 38 anos trabalhando como empregada dom\u00e9stica, Selma de Sousa, 52, moradora de Artur Alvim, bairro da zona leste de S\u00e3o Paulo, acompanhou ao longo das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas o processo de conquistas de direitos trabalhistas, que aos poucos foi dando um pouco mais de seguran\u00e7a para uma categoria de profissionais que em sua maioria \u00e9 representada pela figura feminina de moradoras das periferias.<\/p>\n<p>&#8220;A gente n\u00e3o tinha nada, a gente n\u00e3o tinha benef\u00edcio nenhum, a \u00fanica coisa que a gente tinha era carteira registrada se o patr\u00e3o quisesse, e o d\u00e9cimo terceiro&#8221;, conta Selma, relembrando um passado recente sobre conquistas de direitos, que antes eram desconhecidos ou faziam parte de um sonho distante entre as empregadas dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>Para Selma, al\u00e9m de direitos trabalhistas, as dom\u00e9sticas ainda precisam de mudan\u00e7as sociais e mais valoriza\u00e7\u00e3o. &#8220;Eu acho que falta pra gente em primeiro lugar mais respeito. Respeito que a maioria das pessoas n\u00e3o tem, eu falo dos colarinhos brancos, dos pol\u00edticos sabe, que eles sempre colocam a gente l\u00e1 embaixo, sendo que sem a gente eles n\u00e3o s\u00e3o nada, porque n\u00e3o sabem fritar um ovo&#8221;, argumenta, demonstrando o sentimento de ter uma profiss\u00e3o que ainda sofre uma enorme desvaloriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi a partir destas inquieta\u00e7\u00f5es que a moradora de Artur Alvim descobriu o Zap Zap das Dom\u00e9sticas, um grupo no aplicativo de mensagens instant\u00e2neas, que tira d\u00favidas sobre direitos trabalhistas das empregadas dom\u00e9sticas de diversos territ\u00f3rios do Brasil. &#8220;Eu vi l\u00e1 e cliquei no link, entrei e gostei&#8221;, conta Selma.<\/p>\n<p>O primeiro contato com o grupo de WhatsApp ocorreu quando ela estava navegando pela timeline do Facebook. &#8220;S\u00e3o pessoas maravilhosas, voc\u00ea tem perguntas e elas t\u00eam as respostas, ent\u00e3o pra mim foi gratificante&#8221;, diz Sousa, relatando o contentamento de descobrir no aplicativo uma rede de apoio.<\/p>\n<p>Selma ressalta que \u00e9 importante existir direitos, mas para que eles sejam v\u00e1lidos \u00e9 necess\u00e1rio compreend\u00ea-los para poder question\u00e1-los. &#8220;Pra voc\u00ea questionar, voc\u00ea tem que ter a certeza do que voc\u00ea est\u00e1 questionando, n\u00e3o adianta eu questionar uma coisa no meu trabalho com meus patr\u00f5es se eu n\u00e3o tenho certeza do que eu estou questionando pra eles n\u00e9?&#8221;, questiona ela, enfatizando que hoje o meio de informa\u00e7\u00e3o mais acess\u00edvel se tornou o grupo do WhatsApp.<\/p>\n<p>Uma das d\u00favidas relatadas pela dom\u00e9stica foi sobre a quantidade de horas trabalhadas por dia. &#8220;Eu tinha d\u00favida se era oito horas com hor\u00e1rio de almo\u00e7o, ou se com o hor\u00e1rio de almo\u00e7o era nove horas, ent\u00e3o eu tinha duvida disso&#8221;, conta Sousa, que depois de tirar suas duvidas no grupo, foi conversar com seus patr\u00f5es e estabelecer seus hor\u00e1rios para organizar suas tarefas e os hor\u00e1rios de almo\u00e7o, completando a jornada de oito horas di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Durante a pandemia, Selma ficou afastada por quase tr\u00eas meses e retornou as atividades profissionais no dia seis de julho. Ap\u00f3s retornar, ela diz que n\u00e3o teve muitas modifica\u00e7\u00f5es, mas os seus empregadores adotaram algumas precau\u00e7\u00f5es como medidas de preven\u00e7\u00e3o. &#8220;No servi\u00e7o n\u00e3o mudou nada, o que mudou foram alguns costumes que \u00e9 o uso da m\u00e1scara e o \u00e1lcool n\u00e9&#8221;.<\/p>\n<p>Selma relata que a luta pelos direitos trabalhistas das empregadas dom\u00e9sticas exige muita insist\u00eancia e perseveran\u00e7a. &#8220;O que a gente n\u00e3o pode \u00e9 sentar e esperar que aconte\u00e7a, a gente tem que correr atr\u00e1s sabe, eu falo isso porque eu j\u00e1 fiquei esperando, porque eu n\u00e3o sabia por onde come\u00e7ar, n\u00e3o tinha nem ideia onde eu poderia chegar e por qual meio eu podia chegar&#8221;.<\/p>\n<p>Ela lembra que j\u00e1 trabalhou muito na vida sem ter direito a nada e que hoje, ela busca respostas para seguir em busca dos seus direitos. &#8220;Eu agrade\u00e7o a Deus e agrade\u00e7o a esse whatsapp das dom\u00e9sticas, porque elas me incentivaram a correr atr\u00e1s dos nossos direitos&#8221;.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s acessar uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es importantes no ambiente de trocas do grupo, Sousa conclui que essa experi\u00eancia trouxe um importante impacto para sua vida pessoal e profissional. &#8220;Pensa numa baiana arretada? Sou eu. Eu brigo pelos meus direitos at\u00e9 o fim, se eu n\u00e3o conseguir tudo bem, mas que eu vou brigar eu vou&#8221;.<\/p>\n<p>O projeto Zap Zap das dom\u00e9sticas foi idealizado pelo Observat\u00f3rio do Direito e Cidadania da Mulher, que atrav\u00e9s de um grupo de pesquisadoras montou um guia dos direitos das dom\u00e9sticas em 2016. O material ensina o que est\u00e1 escrito na lei que considera os direitos trabalhistas das dom\u00e9sticas, com base em diversas refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas. E em busca de tornar essa pesquisa mais acess\u00edvel \u00e0s trabalhadoras, as idealizadoras criaram em 2018 o grupo no whatsapp.<\/p>\n<p>&#8220;A partir do guia, a gente percebeu que eram assuntos complexos, e que a oralidade seria muito importante, e talvez al\u00e9m da linguagem escrita, outros tipos de linguagem visual, s\u00edmbolos e \u00e1udios, gente conseguiria contemplar essa diversidade no whatsapp, para atingir o maior n\u00famero de trabalhadoras poss\u00edvel&#8221;, conta Mariana Fidelis, 34, advogada e umas das pesquisadoras do Observat\u00f3rio do Direito e Cidadania da Mulher.<\/p>\n<p>Hoje o grupo no whatsapp Zap Zap das dom\u00e9sticas possui 570 participantes. As pesquisadoras produzem uma grande diversidade de conte\u00fados informativos com base nas pesquisas feitas no Observat\u00f3rio do Direito e Cidadania da Mulher, como em seu canal no Youtube, que tem uma s\u00e9rie de v\u00eddeo que trazem informa\u00e7\u00f5es sobre direitos das empregadas dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destes materiais, o projeto est\u00e1 prestes a lan\u00e7ar uma revista falando sobre a hist\u00f3ria de lutas dos direitos das dom\u00e9sticas. &#8220;Pesquisando ai os anos de luta n\u00e9, as personagens, como foi essa luta pra conquista desses direitos, de como a PEC entra para o Brasil, de como o Brasil vai assinar o conv\u00eanio da OIT, que d\u00e1 origem a PEC&#8221;, descreve a pesquisadora, detalhando alguns conte\u00fados que far\u00e3o parte da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante a pandemia, as pesquisadoras perceberam que essas informa\u00e7\u00f5es precisavam circular por todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, pois previam que teria um retrocesso e uma escassez de direitos para esse momento. &#8220;A gente viu uma urg\u00eancia em retomar o projeto, diante dos n\u00fameros de abusos, das exig\u00eancias de casas de fam\u00edlia e patr\u00f5es, para que elas se isolassem dentro da casa, havendo a\u00ed uma reformula\u00e7\u00e3o do quartinho de empregada, do quartinho de servi\u00e7o, que j\u00e1 tava cada vez mais sendo menos utilizado, dentro do nosso contexto social e econ\u00f4mico&#8221;, explica Fidelis.<\/p>\n<p>A pesquisadora afirma que a profiss\u00e3o de empregada dom\u00e9stica possui uma conex\u00e3o direta com a figura da mulher nordestina que mora e constr\u00f3i seus la\u00e7os familiares nas periferias. &#8220;Umas das amostras que as pesquisa traz \u00e9 que uma porcentagem consider\u00e1vel de mulheres dom\u00e9sticas que s\u00e3o moradoras das periferias&#8221;.<\/p>\n<p><span>Fidelis conta que as maiores d\u00favidas que aparece no grupo Zap Zap das dom\u00e9sticas \u00e9 sobre rescis\u00e3o de contrato, compensa\u00e7\u00e3o de horas e tempo para mover a\u00e7\u00f5es trabalhistas. &#8220;Lembrando a\u00ed que a maioria da categoria n\u00e3o chega a receber um sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e9, principalmente as diaristas, que as di\u00e1rias delas no final do m\u00eas n\u00e3o somam o valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo&#8221;, alerta a pesquisadora, sobre as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de remunera\u00e7\u00e3o salarial no setor.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p><b style=\"background-color: initial; font-family: inherit; text-align: inherit; letter-spacing: 0px;\">&#8220;Voc\u00ea acredita que meu primeiro registro na carteira eu tava com 37 anos?&#8221;<\/b><\/p>\n<p><cite> Maria de Brito<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   has-nested\" data-type=\"gallery\">\n<div class=\"eb-gallery\">\n<div class=\"eb-gallery-stage\" data-plupload-drop-element=\"\">\n<div class=\"eb-gallery-viewport\" style=\"left: 0%;\">\n<div class=\"eb-gallery-item active\" data-id=\"g06376868287465103\" style=\"left: 0%;\">\n<div class=\"ebd-block  is-nested is-isolated  \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center; width: 100%;\">\n<div class=\"eb-image is-fluid style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"padding-top:56.25%;\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/b2ap3_large_Creditos-Brenda-Brito_Foto-de-Maria-de-Brito.jpeg\" style=\"width:100.019%;height:100%;top:0%;left:-0.01%;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-button eb-gallery-next-button\">\n<i class=\"fa fa-chevron-right\"><\/i><\/div>\n<div class=\"eb-gallery-button eb-gallery-prev-button\">\n<i class=\"fa fa-chevron-left\"><\/i><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-menu\">\n<div class=\"eb-gallery-menu-item active\" data-id=\"g06376868287465103\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Como \u00e9 a vida de uma trabalhadora que n\u00e3o tem conhecimento do grupo Zap Zap das dom\u00e9sticas? Conhecemos a hist\u00f3ria de Maria de Brito, tamb\u00e9m conhecida na sua quebrada por Maz\u00e9, 60 anos, moradora do Parque Santo amaro, zona sul da cidade.<\/span><\/p>\n<p>Ap\u00f3s um dia intenso de idas e vindas de transporte p\u00fablico, ela relata que ap\u00f3s finalizar o trabalho na casa dos patr\u00f5es que residem no Campo Belo, bairro de classe m\u00e9dia da zona sul de S\u00e3o Paulo, tomar um banho e assistir televis\u00e3o se tornou um ritual para descansar o corpo e distrair a mente.<\/p>\n<p>&#8220;Eu trabalho em casa de fam\u00edlia desde meus 12 anos de idade&#8221;, conta Maz\u00e9. Com 48 anos de experi\u00eancia como empregada dom\u00e9stica, ela v\u00ea poucas mudan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o aos seus direitos trabalhistas.<\/p>\n<p>&#8220;Eles puseram esse neg\u00f3cio de uma hora de almo\u00e7o para as dom\u00e9sticas, mas a maioria n\u00e3o pode cumprir esse hor\u00e1rio, porque se a gente cumpre esse hor\u00e1rio de almo\u00e7o atrasa tudo e voc\u00ea acaba saindo mais tarde&#8221;, afirma Maz\u00e9, apontando a falta de conex\u00e3o entre a realidade no ambiente de trabalho dom\u00e9stico e que prega as leis trabalhistas.<\/p>\n<p>Diferente de Selma, durante a pandemia, Maria n\u00e3o parou seus trabalhos. Ela prestou seus servi\u00e7os normalmente. &#8220;A pandemia todinha eu trabalhei, s\u00f3 que \u00e9 assim: voc\u00ea vai com medo, voc\u00ea vem com medo e te atrasa um pouco tanto pra ir, quanto para voltar, porque eu fico esperando um \u00f4nibus vazio para vir n\u00e9&#8221;, compartilha Maz\u00e9, descrevendo a sua rotina para ir e voltar do trabalho.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 pandemia, os patr\u00f5es dela forneceram uniformes, \u00e1lcool em gel e reduziram a carga hor\u00e1ria. &#8220;Mas n\u00e3o tem outra coisa, n\u00e3o posso parar, tenho que ir n\u00e9&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o do grupo do Zap Zap das dom\u00e9sticas ainda n\u00e3o chegou para moradora do Parque Santo Amaro. Desta forma, o \u00fanico canal para se atualizar sobre seus direitos costuma a ser a televis\u00e3o. &#8220;Quando eu vejo alguma informa\u00e7\u00e3o, eu vejo quando passa no jornal, falando sobre o direito das dom\u00e9sticas, ai que fico sabendo de alguma coisa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ela conta que essa hist\u00f3ria de direito trabalhista s\u00f3 chegou \u00e0 sua vida quando ela j\u00e1 tinha mais de 35 anos. &#8220;Voc\u00ea acredita que meu primeiro registro na carteira eu tava com 37 anos?&#8221;, questiona ela, fazendo uma denuncia sobre o descaso hist\u00f3rico dos direitos trabalhista das empregada dom\u00e9sticas, que a atingiram e prejudicaram o seu plano de previd\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que agora os patr\u00f5es tem um pouquinho mais de respeito pelos funcion\u00e1rios, n\u00e3o \u00e9 aquela coisa ainda, mas voc\u00ea j\u00e1 tem como reclamar alguma coisa, pedir um aumento. Naquela \u00e9poca, se voc\u00ea entrasse no servi\u00e7o era dez anos com o mesmo sal\u00e1rio&#8221;, revela Maz\u00e9, fazendo uma reflex\u00e3o sobre as mudan\u00e7as de comportamento dos empregados com a conquista dos direitos.<\/p>\n<p>Maria finaliza fazendo uma suposi\u00e7\u00e3o sobre o impacto do grupo do Zap Zap das dom\u00e9sticas, caso ele existisse a mais tempo na vida das empregadas dom\u00e9sticas. &#8220;Seria bom, a gente ia receber bastante informa\u00e7\u00e3o, mais ideias das outras colegas, e tamb\u00e9m se tivesse isso no passado a gente n\u00e3o teria tanta perda igual tivemos dos nossos direitos antigamente&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como um grupo de WhatsApp est\u00e1 contribuindo com o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es sobre direitos trabalhistas das empregadas dom\u00e9sticas que vivem nas periferias? 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Em 2018, ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Atrav\u00e9s da escrita e da escuta ativa, ela pauta a tecnologia contando a hist\u00f3rias de moradores e projetos das periferias e favelas, para transformar seu imagin\u00e1rio sobre a quebrada."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1211"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1211\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3805,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1211\/revisions\/3805"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1209"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1211"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}