
{"id":1133,"date":"2016-11-30T02:00:00","date_gmt":"2016-11-30T04:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2016\/11\/30\/luz-ribeiro-simbolo-de-resistencia-contemporanea-da-mulher-negra-periferica\/"},"modified":"2024-06-29T21:29:40","modified_gmt":"2024-06-30T00:29:40","slug":"luz-ribeiro-simbolo-de-resistencia-contemporanea-da-mulher-negra-periferica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/contextos-perifericos\/luz-ribeiro-simbolo-de-resistencia-contemporanea-da-mulher-negra-periferica\/","title":{"rendered":"Luz Ribeiro: s\u00edmbolo de resist\u00eancia contempor\u00e2nea da mulher negra perif\u00e9rica"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Usufruindo da arte liter\u00e1ria para difundir conhecimento e senso cr\u00edtico, a poeta segue uma trajet\u00f3ria pautada em ativar em outras mulheres negras e na juventude perif\u00e9rica um sentimento de pertencimento e identidade racial.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>No m\u00eas da Consci\u00eancia Negra, a figura de Zumbi do Palmares \u00e9 celebrada e relembrada com orgulho por in\u00fameros grupos sociais, coletivos culturais e artistas independentes que mant\u00e9m uma linha de atua\u00e7\u00e3o que defende e promove a luta por igualdade racial para o povo preto perif\u00e9rico. No entanto, a figura da guerreira negra, Dandara, esposa do l\u00edder de Palmares aparece com menos espa\u00e7o durante as comemora\u00e7\u00f5es do dia 20 de novembro, data que faz refer\u00eancia \u00e0 morte de Zumbi. E \u00e9 com base nesta abordagem hist\u00f3rica e sociol\u00f3gica, que a atua\u00e7\u00e3o art\u00edstica de mulheres pretas, como a poeta Luz Ribeiro, revitaliza e consolida a import\u00e2ncia do olhar feminino para a forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os mais antenados e integrados com a sua realidade social no mundo atual.<\/p>\n<p>Ser uma mulher preta perif\u00e9rica ativista e consciente das suas ra\u00edzes culturais e pol\u00edticas nos dias atuais simboliza um ato de bravura e que refor\u00e7a a import\u00e2ncia do feminismo que renasce nas comunidades de S\u00e3o Paulo. Neste cen\u00e1rio, a poeta Luz Ribeiro surge com uma atua\u00e7\u00e3o carregada de valores sociais, pol\u00edticos e culturais provocadores e transgressores, pautados pela luta por igualdade racial e de g\u00eanero para a juventude perif\u00e9rica.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acabei tendo um contato maior com a minha ancestralidade por meio da rela\u00e7\u00e3o com os Saraus&#8221;, conta a poeta, relatando a descoberta da escrita afro centrada. &#8220;Falar sobre os orix\u00e1s, sobre ser mulher negra, sobre a \u00c1frica que \u00e9 uma escola e um ber\u00e7o para todos n\u00f3s, acabou sendo algo essencial na minha escrita&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>Desde pequena Luz j\u00e1 escrevia por influ\u00eancias da m\u00e3e e da irm\u00e3, mas somente com 22 anos se descobriu poeta, quando participou pela primeira vez de um sarau liter\u00e1rio na periferia de S\u00e3o Paulo. &#8220;<em data-redactor-tag=\"em\">Eu tinha muito como influ\u00eancia minha m\u00e3e, que compunha letras de m\u00fasica e minha irm\u00e3, que assim como eu tamb\u00e9m escrevia poesias. Com pouca frequ\u00eancia, mas escrevia.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Luz, que \u00e9 paulistana, pedagoga, formada em educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, aspirante \u00e0 atriz e performer se lan\u00e7ou em 2013 como autora independente e publicou o livro &#8220;Eterno Cont\u00ednuo&#8221; onde apresentou poemas lapidados sob o ritmo fren\u00e9tico de &#8220;Sampa&#8221;, mas com a sensibilidade e for\u00e7a de algu\u00e9m que n\u00e3o se deixa anular.<\/p>\n<p>Hoje a poeta \u00e9 uma das idealizadoras do coletivo Poetas Ambulantes, grupo que declama e distribui poesia nos transportes p\u00fablicos de S\u00e3o Paulo desde 2011, mesclando diversidade junto aos desconhecidos. Ela tamb\u00e9m participa ativamente dos coletivos: Slam do Treze e Slam das Minas SP, linguagens art\u00edsticas que est\u00e3o cada vez mais ganhando espa\u00e7o e jorrando conte\u00fado cultural para a juventude perif\u00e9rica. Al\u00e9m destes trabalhos, ele tamb\u00e9m faz parte do trio de m\u00fasica infantil &#8220;Luz, Flores e Peixes&#8221;, onde a poeta faz apresenta\u00e7\u00f5es compostas por can\u00e7\u00f5es autorais ou covers com ritmos diversos.<\/p>\n<p>Em sua escrita, a poeta buscar retratar suas inquieta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e liter\u00e1rias. &#8220;Eu falo muito sobre a Periferia e a Juventude Negra, por eu ser uma mulher negra perif\u00e9rica e viver esses caminhos&#8221;, revela ela, relembrando nomes de mulheres como, Elizandra Souza, Roberta Estela D\u00b4alva, Mel Duarte, Jovelina Perola Negra, Elza Soares, Helen Ol\u00e9ria, entre outras, que s\u00e3o refer\u00eancias na sua trajet\u00f3ria de milit\u00e2ncia art\u00edstica e social.<\/p>\n<p>Uma das poesias marcantes de autoria de Luz \u00e9 &#8220;Menimel\u00edmetros&#8221;, uma narrativa que detalha o quanto suas viv\u00eancias sociais, culturais e pol\u00edticas influ\u00eancia a sua escrita. &#8220;Essa poesia foi constru\u00edda totalmente com base nas minhas viv\u00eancias pessoais. Eu trabalhei durante 6 anos com medidas socioeducativas e atendia adolescentes e jovens, por meio de visitar domiciliares&#8221;, descreve ela, apontando a rela\u00e7\u00e3o de afeto humanit\u00e1rio que construiu com a juventude, ao conhecer de perto a suas angustias e dificuldades de integra\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Usufruindo da sua arte, a poeta segue adiante, distribuindo pela periferia, nos saraus, nas rodas de conversa, nos slams e pelo centro de S\u00e3o Paulo a sua ess\u00eancia de mulher negra e sua ancestralidade, que hora est\u00e1 presente nos seus versos ou nas suas m\u00fasicas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.desenrolaenaomenrola.com.br\/uploads\/images\/luz.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usufruindo da arte liter\u00e1ria para difundir conhecimento e senso cr\u00edtico, a poeta segue uma trajet\u00f3ria pautada em ativar em outras mulheres negras e na juventude perif\u00e9rica um sentimento de pertencimento e identidade racial. 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