Saiba como a Perifacon incentiva a pluralidade de vozes na produção de quadrinhos nas periferias

A Perifacon lançou um edital para publicação de oito histórias em quadrinhos, produzidas por autores da quebrada. As inscrições encerram neste domingo 16 de julho. Os selecionados terão acesso a um curso de 8 meses , além de uma ajuda de custo para viabilizar sua participação no projeto.

Por Tamires Rodrigues 13/06/2019 - 16:38 hs
Foto: PerifaCon

Em parceria com a editora Mino, a PerifaCon, coletivo que dissemina a cultura nerd nas quebradas de São Paulo, criou um programa de incentivo à produção de quadrinhos na periferia. A iniciativa oferece oitos vagas, sendo 4 delas destinadas a quadrinistas negros. Os interessados em participar podem se inscrever até esse domingo (16), por meio do e-mail oficial do edital: narrativasperifericas@editoramino.com

Durante o processo de inscrição os candidatos devem informar: nome, endereço, renda familiar, portfólio e o argumento da sua história em quadrinhos. Além disso, os interessados devem se atentar aos critérios de seleção, que vai levar em consideração a pluralidade de narrativas e a identidade de raça e gênero dos proponentes.

“A gente quer sair desse estereótipo de ser só narrativas periféricas. A questão é de ser pessoas periféricas produzindo”, conta Andreza Delgado, umas das integrantes da PerifaCon, ressaltando a importância  do mercado  reconhecer e dar espaço a produção de quadrinhos existente nas periferias.  

A visão de mundo sobre o cenário da produção de quadrinhos pontuada pela integrante da PerifaCon tem uma relação direta com a experiencia vivenciada por Janaína de Luna, editora-chefe da Mino, uma empresa brasileira especializada em produções de quadrinhos.

 Durante uma de suas participações na CCXP (Comic Com Experience), maior evento brasileiro de cultura nerd, Luna encontrou apenas 6 quadrinistas negros, em meio a um evento com 500 expositores. “A gente não pode ter uma narrativa única, visto de um ponto de vista econômico e cultural. E isso acontece. Só existe praticamente uma voz falando, e a gente precisa de uma pluralidade nessa narrativa”, argumenta a editora sobre o motivo de criar o projeto em parceria com a Perifacon.

A integrante da Perifacon acredita que um dos principais impactos desse projeto será viabilizar a presença de quadrinistas da quebrada em espaços de difícil acesso no mercado e nos meios de produção. “São 8 novos artistas que serão publicados por uma das maiores editoras nacionais de HQ.  8 novas obras que vão conseguir acessar lugares que quem está dentro da periferia não consegue”, descreve Delgado, enfatizando o propósito político do projeto.   

Os selecionados irão receber uma ajuda de custo durante o decorrer do projeto e terão treinamento com um dos maiores quadrinista brasileiros. E por fim, os quadrinhos serão lançados na PerifaCon de 2020 e distribuídos pela Mino para o mercado.