MORADORA DO GRAJAÚ ASSUME COORDENAÇÃO GERAL NO MINISTÉRIO DOS DIREITOS HUMANOS E DA CIDADANIA

Recém nomeada a um cargo público vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Mayara Silva busca atuar para a melhoria na qualidade de vida dos jovens periféricos através de políticas públicas.

Nomeada Coordenadora Geral de Políticas Socioeducativas na Secretaria Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Mayara Silva de Souza, 30, cria do bairro Cocaia, distrito do Grajaú, zona sul de São Paulo, faz parte de um movimento de mulheres que buscam ocupar espaços de decisões, e a partir da sua atuação, contribuem através de políticas públicas, para melhoria na vida de jovens e crianças das periferias.

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Formada em Direito, Mayara foi uma das mulheres selecionadas no programa de Lideranças Femininas Negras Marielle Franco pelo Fundo Baobá, em 2019. Programa que busca potencializar mulheres negras para alcançar espaços de poder e fazer a diferença onde elas quiserem estar.

“Eu sou de várias periferias de São Paulo. A minha mãe morava no Cocaia, a minha madrinha no Jardim Ângela, e a nossa relação era bem próxima, sempre passava as férias escolares lá. Atualmente moro em Brasília por conta da proposta de trabalho que recebi e gosto muito daqui”, conta Mayara, que assumiu o cargo de coordenadora geral em março deste ano e se mudou para Brasília, local que já frequentava desde 2018.

A partir das andanças pelas quebradas, Mayara já atuou com suas potências e também com as violências programadas nesses territórios. A perda de um amigo por overdose foi um dos motivos para que decidisse se tornar alguém que pudesse fazer a diferença na vida de jovens periféricos. 

“O sonho em relação à periferia seria justamente fazer com que a violência institucional seja interrompida. É uma pretensão bem ousada, mas precisamos dessa ousadia.” 

Mayara Silva, Coordenadora Geral de Políticas Socioeducativas no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

A advogada é filha de mãe solo, nordestina e conta que desde os 14 anos entendia que o contexto em que vivia era diferente para pessoas como ela.

“Até os 9 anos eu morei no Campo Belo e depois fui morar no Grajaú. Aí começamos a morar em família e minha mãe passou a ir e voltar todos os dias do trabalho para dormir em casa. Até aquele momento, a minha vivência maior de vida foi dentro do quarto de empregada que a minha mãe trabalhava”, conta.

Atuação 

Desde pequena Mayara já sabia o que queria fazer: ser promotora de justiça. Ela conta que uma vez sua mãe a levou em uma audiência de pensão alimentícia em um fórum, e a partir disso passou a ter essa carreira como objetivo. “Na adolescência foi que eu entendi e fui estudar Direito”, compartilha.

Foi ao longo desses anos de estudos que Mayara passou a observar as violências institucionais que atravessavam seus amigos e familiares. Ela conta que seu irmão, um jovem negro, sofria diversas abordagens policiais diárias e quase não via os colegas da escola por estarem cumprindo medida socioeducativa na Fundação Casa. Fatos que influenciaram na sua atuação.

“Quando eu entrei na faculdade e descobri que existe um campo no Direito que atua para garantir o reconhecimento dos adolescentes, das crianças e dos jovens como sujeitos de direitos. Através de iniciativas públicas entendi que era isso que eu queria”. 

Mayara Silva, Coordenadora Geral de Políticas Socioeducativas na Secretaria Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescente.

Ao longo de sua carreira, Mayara atuou em espaços de assistência como órgãos da Defensoria Pública, em audiências e atendimento a jovens de diferentes territórios.

“Eu sabia como funcionava, cresci lá [na periferia], sabia como atender essas famílias. Sei como eles viveram, sei o role que é, o tempo que levaram até chegar aqui, quantos ônibus pegaram”

Ao longo de sua carreira, Mayara atuou em espaços de assistência como órgãos da Defensoria Pública, em audiências e atendimento a jovens de diferentes territórios.

“Eu sabia como funcionava, cresci lá [na periferia], sabia como atender essas famílias. Sei como eles viveram, sei o role que é, o tempo que levaram até chegar aqui, quantos ônibus pegaram”, conta a advogada.

Mayara aponta que ter uma história de vida parecida com a de muitos jovens periféricos aproximou e possibilitou contribuir de uma maneira diferente. “Eu conseguia fazer um atendimento baseado na realidade, porque era a minha até pouco tempo”.

Durante sua passagem pela Prefeitura de São Paulo, a advogada trabalhou com a política e atendimento socioeducativo a nível municipal. Já no terceiro setor, envolvida na temática de direitos da juventude, atuava em nível nacional, e foi aí que percebeu que o trabalho realizado era bom, mas poderia ser ainda melhor com o setor voltando seu olhar para a base territorial.

Enquanto atuava na ONU, com foco em como o judiciário brasileiro trata a política socioeducativa para adolescentes, percebeu a distância de quem discutia a temática, para quem estava no território.

“Eu fazia formação para juízes, fazia manual de como avaliar o atendimento pensando sob a ótica desse adolescente e agora eu estou justamente a esse nível nacional que coordena toda a política de maneira específica hoje no Brasil”, pontua.

Atualmente Mayara tem o objetivo de contribuir na construção de políticas socioeducativas sob a perspectiva de garantia das políticas públicas. Como Coordenadora Geral do Atendimento Socioeducativo, busca o protagonismo jovem.

“A violência pode ser interrompida dando esse protagonismo para a juventude, sobretudo por meio de políticas públicas”, aponta Mayara.

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