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Iniciativas que atuam com basquete fomentam o esporte nas periferias de São Paulo

Projetos realizados na região sul e leste de São Paulo, pautam a importância do esporte como ferramenta de transformação social nos territórios periféricos.
Edição:
Evelyn Vilhena

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Laboratório Hooper. Foto: Divulgação.
Laboratório Hooper. Foto: Divulgação.

Em um cenário de ausências sociais programadas nos territórios periféricos, projetos desenvolvidos a partir da articulação de movimentos territoriais jogam luz para as potencialidades apagadas nesses territórios. É nesse contexto que nasce o Laboratório Hooper, no distrito do Grajaú, zona sul de São Paulo, e o Jóias do Futuro, em Guaianases, zona leste da cidade.

Foi a partir do contato com o basquete dentro da escola que Jhonathan Crist, 28, morador do bairro Jardim Varginha, no Grajaú, zona sul de São Paulo, criou o Laboratório Hooper. “A ideia surgiu para mostrar nosso basquete dentro da região. A falta de espaços públicos para as pessoas praticarem dificultava muito, já que no bairro onde moramos não existem praças públicas ou quadras”, conta Jhonathan, criador do projeto que teve início em 2022. 

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Jhonathan Cris, fundador do projeto. Foto: Arquivo pessoal.
Jhonathan Cris, fundador do projeto. Foto: Arquivo pessoal.

Atualmente o projeto conta com 25 participantes, onde Jhonatan além de fundador também é professor. No momento, todos os participantes são moradores da região do Grajaú, mas o idealizador tem como objetivo ampliar o projeto para outras regiões. Os treinos acontecem aos domingos de manhã na praça do bairro Sete de Setembro, no Grajaú. 

Carlos Wendel de Sousa, participante do projeto. Foto: Arquivo pessoal
Carlos Wendel de Sousa, participante do projeto. Foto: Arquivo pessoal

Um dos jovens do Laboratório Hooper é Carlos Wendel de Sousa, 16, morador do Jardim Varginha, no Grajaú, que participa do projeto há 11 meses. Carlos já participou de algumas peneiras que conseguiu através do projeto e sonha entrar para algum time de basquete profissional. Ele conta que além de se tornar um atleta, o esporte já tem feito melhorias significativas em sua vida.

“O projeto me trouxe uma outra perspectiva sobre o mundo dos esportes. Assim que eu soube do Laboratório já comecei a participar, pois vi uma oportunidade de agregar minha vida, não só como atleta, mas também como indivíduo.”

Carlos Wendel de Sousa

Jhonatan, criador do projeto, aponta que a maior dificuldade no momento é a falta de um lugar específico para os treinos, pois dependem de escolas para que liberem algum dia e horário. “Não temos uma quadra própria, então nos deslocamos até um bairro próximo, [no] sete de setembro, ali conseguimos treinar na quadra que tem na pracinha do bairro e marcar nossos amistosos”.

O projeto não conta com nenhum auxílio ou doação, sendo tudo feito com recurso próprio. Além das aulas na quadra, as redes sociais são aliadas do projeto, sendo um espaço onde Jhonatan busca oportunidades por meio das páginas dos clubes ou faculdades, repassando para os participantes do Laboratório. Com as divulgações da rotina dos treinos através do instagram do projeto, é possível as federações ou faculdades, conhecerem um pouco mais sobre aquele atleta. 

Treino do Laboratório Hooper. Foto: Arquivo pessoal
Treino do Laboratório Hooper. Foto: Arquivo pessoal

O Laboratório Hooper é um projeto voltado sem restrições de idade ou gênero. Para participar basta chegar na quadra localizada na praça do bairro Sete de Setembro no Grajaú e procurar a equipe sempre aos domingos, às 08h da manhã.

Esporte presente também na zona leste  

Localizado em Guaianases, zona leste de São Paulo, o Joias do Futuro, se propõe a ser um espaço de trocas e aprendizagem através do esporte. A iniciativa foi criada em setembro de 2020, por um grupo de quatro amigos apaixonados por basquete: Leonardo Souza, Gabriel Vicente, Allan Oliveira e Luandre Thurã, ambos com 22 anos e moradores da Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo.

“Assim como todo jovem de periferia, o futebol já era algo presente na minha vida. Mas meu pai jogava basquete em quadras ali mesmo da nossa comunidade. Aos 12 anos comecei a treinar basquete no Juventus da Mooca e no Instituto Drible Certo, que fica na Cohab 2. A partir desse momento, eu comecei a amar o basquete”, relembra Leonardo, um dos fundadores do Joias do Futuro.

A iniciativa surgiu durante a pandemia da covid-19, período em que muitos lugares ficaram fechados e impossibilitou a prática do esporte. Nesse momento, os jovens encontraram uma quadra abandonada, na Cohab Juscelino, em Guaianases, que comportava a prática do basquete ali no território. 

Quadra Bilysta. Foto: Divulgação
Quadra Bilysta. Foto: Divulgação

A partir daí, os amigos se mobilizaram para conseguir reformar o espaço e assim foi nomeada como quadra Billysta, em homenagem a um rapaz chamado Billy, que durante muito tempo cuidou da quadra.

“A partir do momento que encontramos a quadra e os moradores se mobilizaram junto com a gente, começaram a surgir outros jovens que também praticam basquete para auxiliar na reforma. Nisso, a subprefeitura de Guaianases também deu uma força e conseguimos finalizar a reforma, dando início às atividades do projeto.”

Leonardo Souza, um dos fundadores do Joias do Futuro.
Leonardo de Souza, um dos fundadores do projeto, em pé, com camisa branca, ao lado dos participantes do Joias do Futuro. Foto: reprodução
Leonardo de Souza, um dos fundadores do projeto, em pé, com camisa branca, ao lado dos participantes do Joias do Futuro. Foto: reprodução

Leonardo conta que a subprefeitura ajudou somente na reforma da quadra. “Boa parte do investimento é feito do nosso próprio bolso, o que nos ajuda atualmente, é o auxílio de alguns comércios da região, que fornecem materiais para os treinos ou mantimentos quando realizamos alguns eventos”, afirma.

Atualmente o projeto conta com a participação de 50 crianças e adolescentes, com faixa etária de 6 a 18 anos. Leonardo e Gabriel Vicente são instrutores, Allan fica responsável pela administração e redes sociais, e Luandre pelos eventos que organizam.

Daniel Santana, 19, morador da Cidade Tiradentes, zona leste da cidade, é um dos jovens que participa do projeto desde sua fundação em 2020. O jovem afirma que o Jóias do Futuro é mais que uma busca por campeonatos, mas um auxílio na formação e descobertas para crianças e adolescentes na quebrada.

“O projeto abrange toda a nossa comunidade. É muito além do esporte. Temos diversos eventos beneficentes, como por exemplo o que rolou na páscoa, dia das crianças e por ai vai”, conta Daniel. 

Daniel Santana. Foto: Divulgação.
Daniel Santana. Foto: Divulgação.

Leonardo aponta que o esporte pode ser a porta de entrada para novas possibilidades, mas que para manter isso como um objetivo ou até mesmo um sonho, é necessário uma estrutura maior que passa pela garantia de alimentação, moradia, saúde, entre outros direitos básicos.

“Estamos aqui para ajudar e melhorar a realidade da nossa comunidade. E como falamos, não adianta ajudarmos nas ruas, se dentro de casa tem problemas maiores. Com as arrecadações de alimentos conseguimos ajudar não somente as crianças, como também suas famílias.”

Coloca Leonardo

As aulas são divididas em dois lugares: de terça-feira a quinta-feira os treinos são feitos no CEU Inácio Monteiro, na Cidade Tiradentes, das 13h às 15h. De quinta a sábado os treinos acontecem na quadra Billysta, em Guaianases, a partir das 10h. Todos os treinos são abertos ao público e as inscrições são feitas no próprio local, durante todo o ano.

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