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Coronavírus: comunicadores de periferias e favelas se articulam para informar sobre pandemia

Edição:
Redação

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Usando a hashtag #CoronaNasPeriferias, eles questionam que a maioria das providências estabelecidas pelo governo não se aplicam à realidade dos moradores. 



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Foto: Reprodução

Dezenas de comunicadoras e comunicadores das periferias e favelas de todo o país lançaram uma carta pública, nesta quinta-feira (19), em que reúnem esforços para informar seus territórios sobre ações relacionadas ao Covid-19, o coronavírus.

Usando a hashtag #CoronaNasPeriferias, eles questionam no documento que a maioria das providências estabelecidas pelos governos federal, estaduais e municipais para conter a disseminação do vírus não se aplicam à realidade dos moradores de territórios periféricos e favelas do país.

“O governo e várias organizações indicam o isolamento social como o principal meio de prevenção da doença. Isso não é permitido à nossa realidade! A periferia é a empregada doméstica, o porteiro, o motorista de app, o entregador, o trabalhador informal que precisa estar no busão e no metrô vendendo seus produtos para levar renda pra dentro de casa ou o comerciante local que não pode suspender suas atividades”, escrevem.

Confira a íntegra da carta:

Estamos diante de uma pandemia. A palavra ainda soa estranha para muita gente e tudo que ela carrega por trás também. Covid-19, o que todos conhecemos por coronavírus, chegou ao Brasil e seus efeitos são reais. Há infectados, há mortos.

Para conter maiores problemas os governos federal, estadual e municipal – muito timidamente ainda – têm divulgado e estabelecido uma série de ações às quais a população inteira do país precisa se submeter.

No entanto, mais uma vez, as favelas, periferias, guetos, quilombos, sertões e toda população à margem está à mercê da sua própria sorte.

Vamos começar pelo básico: lavar as mãos! Esta tem sido uma recomendação amplamente divulgada. Como é possível que isso seja realmente feito a fim de evitar a contaminação se a quebrada e a favela estão sem água?

O governo e várias organizações indicam o isolamento social como o principal meio de prevenção da doença. Isso não é permitido à nossa realidade!

A periferia é a empregada doméstica, o porteiro, o motorista de app, o entregador, o trabalhador informal que precisa estar no busão e no metrô vendendo seus produtos para levar renda pra dentro de casa ou o comerciante local que não pode suspender suas atividades.

O quanto nossos patrões estão dispostos a seguir os passos que a humanidade pede e permitir que cada um destes profissionais pratique o isolamento e mesmo assim pagar seus salários?

Ficar em casa, se isolar, não pode ser sinônimo de falta de renda. Se for assim, como garantir que a população periférica consiga comprar sequer um álcool em gel para ajudar na prevenção da contaminação? Se o governo vai ajudar os grandes empresários a não quebrar, vai ajudar ao favelado pagar suas contas também? Vai ajudar a senhora que vende guarda-chuva na esquina a não quebrar?

O foco agora é fazer o máximo de esforço para se conter a disseminação da doença. É tentar fazer com que o número de infectados possa ter atendimento hospitalar gradualmente e, ao mesmo tempo, evitar um colapso no Sistema Único de Saúde (SUS), tão negligenciado e abandonado pelo poder público, mas tão necessário e um marco no enfrentamento a tudo que ainda está por vir para conter o Covid-19, o coronavírus. 80% dos usuários do SUS são pretos e pretas.

Diante de tantas recomendações, a periferia – mesmo sendo a mais afetada -, ainda não está conseguindo participar e se informar como realmente precisa. Precisamos saber apontar caminhos que realmente levem as nossas realidades em consideração.

É aí que entramos. Nós, comunicadores periféricos e periféricas de várias partes do país, estamos juntando esforços para colaborar com informações precisas e que realmente consigam alcançar os nossos. Precisamos saber informar nossas crianças, nossos jovens, nossos idosos, nossos pais, mães e familiares. De nós para os nossos!

Assim, lançamos uma coalizão nacional de enfrentamento ao coronavírus através da frente #CoronaNasPeriferias

Assinam esta carta:

Priscilla Castro – Coletivo Nós por Nós (GO)

Marcelo Vinícius – Coletivo Duca (DF)

Tony Marlon I Campo Limpo, SP

Thiago Borges I Periferia em Movimento, Grajaú, SP

Thais Siqueira I Desenrola E Não Me Enrola, Jardim Ângela – SP

Ronaldo Matos I Desenrola E Não Me Enrola, Jardim Ângela – SP

Mariana Belmont, Parelheiros, SP

Simone Freire -Alma Preta / Preto Império – Brasilândia (SP)

Dimas Reis – Preto Império – Brasilândia (SP)

Wallace Morais – Vozes das Periferias (SP)

Cesar Gouveia – Vozes das Periferias (SP)

Antonio Benvindo – Instituto Cultural Coletivo Semifusa/Ribeirão das Neves (MG)

Buba Aguiar – Coletivo Fala Akari (RJ)

Pedro Stilo – Coletivo pão e tinta / Jornalistas livres (PE)

Tainá Oliveira Barral – Na Cuia Produtora Cultural (PA)

Kalyne Lima – Vila Manoel Satiro – Jornalistas livres (CE)

Ingrid Farias – Brasília Teimosa – Escola Livre de Redução de Danos (PE)

Bruno Sousa – The Intercept Brasil – Favela do Jacarezinho (RJ)

Pedro Borges – Alma Preta (SP)

Raull Santiago – Coletivo Papo Reto (RJ)

Gizele Martins – Coletivo MARÉ 0800 (RJ)

José Cícero – DiCampana Foto Coletivo (SP)

Lucas Barbosa – Usina de Valores (RJ, SP, BA, PE)

Marcela Lisboa – Usina de Valores (RJ, SP, BA, PE)

Francisca Rodrigues – Agência Paraisópolis (SP)

Bruna Hercog – CBCOM e Rede ao Redor (BA)

Adriana Gerônimo – JBD Lagamar – Fortaleza (CE)

Rebeca Motta – Jornal Embarque no Direito – Jd. ngela ( SP)

Rosalvo Neto – Instituto Mídia Étnica / Correio Nagô (BA)

Wellington Frazão – Periferia em Foco – Belém do Pará (PA)

Gisele Alexandre – Agência Mural de Jornalismo das Periferias (SP)

Renato Silva – Favela em Pauta (RJ)

Alex Hercog – CBCom (BA)

Lucas Abreu Antonio – Jaçanã (SP)

Rick Trindade – Itabuna (BA)

Clara Bispo – Movimento Pela Paz na Periferia: Família MP3 – Teresina (PI)

Riviane Lucena – Embarque no Direito (SP)

Jéssica Moreira – Nós, mulheres da periferia (SP)

Jefferson Barbosa – PerifaConnection – Voz da Baixada (RJ)

Michel Silva – Fala Roça (RJ)

Daiene Mendes – Favela em Pauta (RJ)

Tiê Vasconcelos – Voz das Comunidades (RJ)

Biatriz Santos – Coletivo de Juventude Negra Cara Preta – Camaragibe (PE)

Rodrigo Gonçalves Benevenuto – Coletivo Salve Kebrada (SP)

Lola Ferreira – Magé, Baixada Fluminense (RJ)

Amanda Pinheiro – Fala Roça – Rocinha (Rj)

Eloi Leones – data_labe – Rio de Janeiro

Marcelo Rocha – São Paulo, na visão dos cria – Mauá (SP)

Mirian Fonseca- Lauro de Freitas –

CBCOM (BA)

Anderson Meneses – Agência Mural de Jornalismo das Periferias (SP)

Muller Silva – ONG Interferência (Capão Redondo – SP)

Mariana Assis- Voz das Comunidades (RJ)

Yane Mendes – Rede Tumulto – Recife (PE)

Natália Bezerra – Recife (PE)

Taís Sales de Moraes – Cine e Rock – Rio das Pedras (RJ)

Walter Oliveira da Silva – Coletivo Jovem Tapajônico – Caranazal, Santarém (PA)

Gabriel Santos – Movimento Afronte – Projeto Alternativo para Meninas e Meninos de Rua – Erê – Vila Brejal, Maceió (AL)

Jusciane Rocha – Belém (Pa)

Naldinho Lourenço – LABirinto Agência Maré (RJ)

Aline Rodrigues – Periferia em Movimento (SP)

Jessica Ipolito – Revista Afirmativa – Salvador (BA)

Anisio Borba – LABirinto Agência Maré (RJ)

Lívia Lima – Nós, mulheres da periferia (SP)

Enderson Araujo – Mídia Periférica (BA)

Juliana Pinho – LABirinto Agência Maré (RJ)

Andreza Delgado – Capão Redondo São Paulo

Wesley Teixeira – Morro do Sapo na Baixada Fluminense (RJ)

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