REPORTAGEM

“Carregando injustiça nas costas”: Entregadora denuncia exploração de aplicativos de delivery

Edição:
Ronaldo Matos

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A iniciativa da entregadora Juliana Iemanjara visa combater a exploração dos trabalhadores de aplicativos e transformar a publicidade feita de forma gratuita nas mochilas de delivery. 

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A entregadora atua desde 2019 gerando renda com o trabalho em aplicativos de delivery. (Arquivo Pessoal)

Com frases como “Carregando injustiça nas costas”, “Sua Comida minha fome”, “Levando comida, ganhando miséria” e “Seu conforto minha injustiça”, a entregadora Juliana Iemanjara, 34, moradora da Vila Inglesa, na zona sul de São Paulo, iniciou em outubro de 2022 uma campanha nas redes sociais e nas ruas da cidade, para espalhar mensagens sobre as injustiças sofridas por trabalhadores de aplicativos no dia a dia desta profissão cada vez mais desvalorizada.

A entregadora utilizou o seu perfil no Instagram e no Facebook para espalhar as mensagens da campanha, na qual ela distribuía adesivos para que motoboys colocassem nas mochilas de entrega, como forma de protesto e conscientização, espalhando frases que evidenciam a exploração da mão de obra de quem trabalha com entregas por aplicativo. 

Ela explica em seu perfil no Facebook e no Instagram como entrar em contato para ter acessos aos adesivos da campanha.

“Todo nosso corpo gera lucro para os donos desses apps. Trabalhamos como um Outdoor ambulante”

Juliana Iemanjara, entregadora

Além da campanha na plataforma digital, a entregadora organizou a exposição de banners instalados em carros e avenidas movimentadas de São Paulo para alavancar o impacto das mensagens.

“Além de ganhar pouco e não receber nenhum respaldo por parte das empresas, ainda fazemos publicidade de graça para os apps. Isso me motivou a querer propagar a causa dos trabalhadores que estão na rua” , explica.

A campanha espalhou banners em muros e carros que circulam pelas avenidas da grande São Paulo. (Arquivo Pessoal)

Desde 2019, ela trabalha com entregas por aplicativo. E nesse meio tempo a entregadora entendeu a importância de provocar não só os parceiros da categoria, mas toda a sociedade a olhar com mais atenção para o que acontece nas ruas da grande São Paulo.

Juliana vive com a mãe e os dois filhos e toda a renda da família é resultado do trabalho como entregadora em quatro aplicativos de entrega onde presta serviço. E para complementar a renda faz bicos em bares, vende produtos pela internet, e ainda tem tempo para ser vendedora ambulante nas ruas da cidade.

“A única coisa boa em trabalhar com aplicativos é a questão da flexibilidade”

Juliana Iemanjara, entregadora

“Tem muita gente que não consegue trabalho com carteira assinada, ou não tem formação, além dos casos das pessoas que saíram do sistema penitenciário. Esses perfis de pessoas vão pro aplicativo, mas sem nenhuma garantia de direitos trabalhistas”, conta.

No perfil de Instagram da entregadora, ela faz uma publicação que afirma: “Nem sempre temos dinheiro para comprar algo para comer na rua”. A contextualização para esse desabafo é o depoimento de um dos entregadores que aderiram à campanha e relatam os maus tratos sofridos por donos de restaurantes, que se negam a fornecer um alimento durante a jornada de entregas.

Juliana e Galo são integrantes do movimento Entregadores Antifascistas. (Arquivo Pessoal)

Entregadores e trabalhadores

A entregadora é formada em contabilidade e sonha em aprofundar os estudos para auxiliar o movimento Entregadores Antifascistas, que existe desde 2020. O movimento ficou conhecido mundialmente por conta da manifestação que culminou na queima da Estátua do Borba Gato, localizada na Praça Augusto Tortorelo de Araújo, distrito de Santo Amaro, zona sul da cidade.

O representante do movimento Entregadores Antifascistas, Paulo Galo, conta que no período de criação do movimento, havia a necessidade de uma organização que desse conta de organizar os trabalhadores e expor o que estava acontecendo naquela época, o que segundo ele aconteceu em partes.

“Com toda a repercussão teve um movimento de valorização dos motoboys por parte dos clientes, impulsionado pela comoção causada pela pandemia, mas isso foi se diluindo com o tempo”, comenta Galo. 

Direitos trabalhistas 

Com o objetivo de abrir um diálogo com o governo Lula sobre a importância de reconhecer os entregadores como uma classe de trabalho, em 19 de janeiro de 2023, o representante do movimento Entregadores Antifascistas se reuniu com líderes sindicais e com o ministério do trabalho, em Brasília.

“A CLT é um conjunto de luta dos trabalhadores”, disse Galo no encontro com lideranças sindicais e representantes do ministério do trabalho. Durante o encontro, ele enfatizou a importância de construir uma união intersetorial com governantes, movimentos sociais e sindicatos, para entender as diferentes formas de construir políticas públicas que assegurem os direitos dos entregadores de diferentes formas, a fim de tirar o domínio do destino destes profissionais das empresas de aplicativos de delivery.

Paulo Galo participa de reunião com centrais sindicais e representantes do Ministério do Trabalho, em Brasília. (Reprodução Instagram)

Galo defende que os comerciantes devem entender que a mão de obra que oferecem também é explorada. “Muitos donos de restaurantes abrem a loja, faz fechamento, varre o chão e anota os pedidos dos clientes, ainda assim não se enxergam como trabalhadores”, afirma o representante do Entregadores Antifacistas.

Para Galo, falta consciência de classe, uma vez que empresas como o Ifood ficam com 30% de cada pedido vendido. “O app se torna sócio desse estabelecimento, sem ajudar a pagar o aluguel, funcionários ou na compra de matéria prima”, alerta ele.

Em relação ao governo do PT, o ativista se mostra animado, mas faz ressalvas: “Nunca houve um diálogo entre Lula e os entregadores antifascistas. A gente entende que com Lula é melhor do que com Bolsonaro, mas não temos grandes ilusões com isso”, conclui. 

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41 COMENTÁRIOS

  1. É triste ver uma situação dessa um fala por todos.

    Eu faço de bicicleta o dia inteiro não estou reclamando.

    Pelos comentários aqui todos não querem trabalhar conforme CLT é ultrapassado.

  2. Reportagem sensacionalista …. Essa moça não sabe nada sobre a categoria quer direitos vai trabalhar com CLT … Sobre não ter dinheiro para comer tem algo muito errado aí acho melhor aprender um pouco sobre educação financeira e o principal aprender a trabalhar essa moça e essa matéria é um desinformativa.

  3. Boa tarde noite dia não sei em que momento está publicação será lida;quero conta uma caso que aconteceu comigo nesse finalzinho de janeiro sofri um pequeno acidente em entrega de aplicativo.custei comunicar que estava com corrida em andamento o aplicativo simplesmente tirou o pedido da minha tela eu ainda corri um risco de ser bloqueado injustamente me diz se alguém me mandou mensagem pra saber se estou bem . quando e pra te bloquear e uma facilidade.e um pedido que não o aceitou ou não o entregou corretamente.agora quando acontece isto que aconteceu comigo foi fato verídico quase perdi a minha vida.galera toma cuidado pois nós pra eles só valemos quando as entregas são realizadas com sucessos.que nosso Senhor Jesus Cristo continue a nos abençoar e proteja nós neste dia dia.

  4. Simples de resolver, deixa de trabalhar e dá lugar pra outra pessoa, enquanto isso procura outro tipo de trabalho ok, geração mimimi que só reclama dá nisso. E quanto não conhecer o tipo de trabalho, conheço e muito bem.

  5. App de entrega nunca foi feito pra ser renda principal, sempre foi um complemento de renda. Quem usa pra renda principal já tá usando errado, independente de falta de oportunidade ou não, ele não foi feito pra isso.
    A pessoa não sabe um A de educação financeira e põe a culpa nos apps que pagam pouco. Se pagam pouco é só parar de fazer e fazer outra coisa. Oferta e demanda, todo dia entram vários novos entregadores, o valor vai cair mesmo.

  6. Fico feliz em ver que ninguém está concordando com ela.Deve estar ganhando para fazer isso certeza e escolheram bem alguém que se diz ter diploma em contabilidade negra e mulher estão querendo tirar o app pra poder controlar a gente e fazer pagarmos impostos não tem ND de injusto no ifood tiro meu dinheiro como deve ser de acordo com oq trabalho e sobre riscos de acidentes aceitei eles desde o momento que comecei a andar de moto o ifood não tem ND haver se caio de moto no meio de uma entrega.

  7. Não sei dos outros, mas eu trabalho das 8 horas da manhã, até as 10 da noite e paro pra comer e descansar porque eu quero. E tenho feito algo em torno de 7 a 8 mil reais por mês. Gasto com manutenção da minha moto e refeições, uma média de 700 reais. Essa é a minha realidade. Pra quem não tinha nada, antes do aplicativo e pouco estudo, hoje tenho minha casa paga, esta moto e algum dinheiro guardado, pago INSS um Seguro de vida e acidente e um plano de Saúde pra família, num total de 498,80 por mês. Total na média de uns 1300 reais. Conheço entregadpr que ganho mais do que eu e passa necessidade. Cada um administra da forma que lhe convém o seu dinheiro.Então, se alguém reclama da oportunidade concedida pelos apps, sugiro lutar por outra Empresa que lhe dê uma oportunidade melhor de vida. Antes que eu esqueça, o Roldão atacadista esta com oferta boa de bag nova, aproveitem para comprar e não depender de propaganda nas costas se quiserem, 98 reais cada.

  8. Sou entregador, tenho a 6° série, almoço, janto, descanso e recebo bruto algo em torno de 7 a 8 mil reais e não sou viciado. Tem entregador que recebe mais que eu e passa necessidade. Cada um tem a sua realidade. Tá ruim? Busque um Trabalho onde você se sintq feliz! Eu fiz isso e agradeço.

  9. Fala e fácil, você tá mais pra mi mi mi. Ganhando 7/8 achando que todas as praças são assim. Deve tá entregando e drogas então, fica criticando achando que todos os lugares tem uma demanda igual a sua cidade. O grande fake é você aqui nos comentários.

  10. ISSO É JOGUINHO DOS PETISTAS. NUNCA QUE MOTOBOY VAI QUERER SER CLT, ELA TRABALHA COM FOME PQ QUER. TRABALHANDO NO APLICATIVO TIRA NO MÍNIMO 2 SALÁRIOS MÍNIMOS. AGORA QUER VIR FALAR DE CLT. QUER CLT PROCURE UM, ESTÃO TODOS SATISFEITOS GANHANDO O QUE DEVERIA GANHAR SENDO AUTÔNOMO NESSE RAMO DE MOTOBOY.

  11. Já deu a resposta pra esse povo…
    Se o app não servi para eles que vá para outro ou vai trabalhar registrado pra ganhar 1 salário mínimo por mês e tapinha nas costas…de bicicleta tiro por oito horas tiro 3,500 por mês se trabalhar 10 ou 12 horas tiro bem mais e folgo quando bem eu entender e pago meu (mei) por fora.
    Assim, como essas pessoas que reclamam não só no ifood mas como em qualquer outra app vão sempre reclamar só querem trabalhar 3 a 6 horas por dia e fazer 200 ou 500 por essas horas de trabalho essa não é a primeira nem a última que ouço reclamar das plataformas nk dia a dia ouço isso direto,mas todos que reclamam são os que trabalham poucas horas ou só trabalham qua do tem taxa alta…

  12. Boa tarde!!já trabalhei registrado e tapinha nas costas,trabalhei em eventos em hotéis por cooperativas tem que cumprir horário…e outra coisa quantas horas vamos lá
    (2 horas pra chegar na empresa e .mais 8 ou 12 horas de trabalho más 2 pra voltar pra casa se somarmos tudo 12 ou 16 horas prestando serviços e dependendo do trabalho vai tirar no máximo 150 reais e a chance de não ter evento ou trabalho no dia seguinte
    .já nos apps tenho esse valorntodos os dias 4 ou 10 horas por dia…isso todos os dias.
    Todos que reclamam porque querem trabalhar só nos horários de pico ou so na janta e com taxa alta
    Hoje sou livre,trabalhando com as plataformas ganho muito bem e quanto mas fico na rua más ganho,obrigado!!apps ..

  13. Trabalho.de bike,fáco em 8 ou 10 horas no seco 150,reais pra mais se fico 10na 12 fico mais bem mais sou micronempreendedor pago.meu inss por fora por oito hora s por dia faço 3500 por mês se fico mais tempo 4500 a 6000 por mês vai da sua disposição de bicicleta imagina de moto ou de carro…
    O ser humano nunca tá satisfeito sempre querendo tirar vantagem e com sua ingratidão é egoísmo pensando somente em vc mesmo…

  14. Com absoluta certeza, a única ajuda que ela nos está fazendo é em queimar toda a classe. Passar fome? Injustiça nas costas? Mano, é só excluir o app veei. Trabalho no ifood no interior do estado da Bahia e graças a Deus eu e meus colegas de entrega vivemos com dignidade. Muito melhor que CLT. Se quer CLT, vai botar currículo e não fica promovendo essa vergonha pra nossa classe.

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