Em Osasco, grupos de mulheres assistem jogos de futebol de várzea à beira do campo com a família

A presença de inúmeros grupos de mulheres com seus filhos no entorno do campo chamam atenção de quem vai até um jogo de futebol de várzea nas periferias. Esse é um dos cenários que podem ser observados na cidade de Osasco, com a realização da Copa do Busão, torneio realizado pela equipe de Vila Izabel, time com 70 anos de tradição no futebol amador.

Foto: Abigail Thais Pinheiro
Em Osasco, grupos de mulheres assistem jogos de futebol de várzea à beira do campo com a família
A torcedora Ana Paula, moradora da Vila Maria, assiste o jogo com a família, em Osasco.

A Copa do Busão, realizada neste sábado (02), competição de futebol amador, organizado pelo time Vila Izabel, um dos mais tradicionais clubes do estado de São Paulo, com 70 anos história, está provocando um forte envolvimento comunitário nas quebradas de Osasco, com bairros das periferias do município de São Paulo.

Além de o time vencedor ser premiado com um ônibus, outras características sociais da competição chama a atenção do público presente, como por exemplo, a presença de inúmeros grupos de amigos e mulheres com seus filhos no entorno do campo.

Enquanto a partida rola dentro de campo, no lado de fora o respeito guia as torcidas para caminharem em direção a não violência, colocando em pauta a importância dos clubes de várzea nos bairros de Osasco, para promover uma relação mais próxima e acolhedora entre os moradores e visitantes do campo Toca da Coruja, um complexo esportivo e cultural, onde acontece a Copa do Busão.

Suelen Paloma, 26, moradora da Vila Maria, zona norte de São Paulo, é torcedora do time da famosa favela da "Marcone". Em meio a sua participação na torcida, ela relata o sentimento de ver inúmeras famílias reunidas ao redor do campo. “Geralmente é difícil você ver uma comunidade reunida né! Muita gente não participa, mas tem muita gente que participa e é difícil mesmo você vê a comunidade reunida, agora nós não, nós somos 100% Marcone,” exclama ela, destacando o orgulho do time e da sua comunidade.

Um dos momentos marcantes para Suelen naquele sábado a tarde foi relembrar o processo de mobilização de moradores realizado pelo clube, para a partida realizada no município de Osasco. “A gente já tava se preparando pra vir, e todo lugar a gente se prepara pra ir, pra tudo,” afirma. O jogo realizado na cidade vizinha à São Paulo reuniu mais de 100 moradores na beira do campo, mostrando o tamanho do amor da comunidade pelo time.

O Futebol de Várzea e a estrutura do Toca da Coruja, incentiva o esporte em forma de inclusão social, levando oportunidades para a comunidade de lazer e ponto de encontro, criando a partir de demandas, as atividades esportivas que contempla variadas faixas etárias.

Essa visão de articulação comunitária presente no time do Vila Izabel, organizador da competição mostra a força do futebol para unir diferentes comunidades por meio de uma partida de futebol.

moradora da Vila Maria presente no jogo é Ana Paula, 30.  Outra moradora da Vila Maria presente no jogo é Ana Paula, 30.  Em sua primeira vez na beira do campo, ela lembra a importância do futebol como lazer e destaca a não violência, para tornar o ambiente acolhedor para todos. “Tomara que seja tudo na paz no amor, porque futebol é paz e amor. Sem brigas, sem violência, isso se torna periferia, se torna felicidade, todo mundo junto, todo mundo unido, é isso o que eu gosto na periferia todo mundo junto e unido.”

O olhar da torcedora Ana Paula revela um dos significados que o futebol vem ganhando, cada vez mais nas periferias, por criar vínculos e conexões para além dos campos com os moradores, tornando o acesso ao lazer uma forma de dar um grito contra a violência, que ainda é presente nos territórios. “O que a gente pede na periferia é só paz, humildade e sem violência, é só isso,” conta Ana Paula.

Complementando a fala da torcedora, Suelen acredita que os clubes tem um importante papel dentro das quebradas, para unir as pessoas. “Praticamente todo mundo é família”, conclui a torcedora.