Favela da Maré no Rio de Janeiro será palco do 1º Encontro Nacional de Comunicação das Periferias

Entre 12 e 15 de outubro, o Desenrola E Não Me Enrola, junto a outros coletivos de comunicação das periferias de 18 estados brasileiros estará participando do 1º Encontro Nacional de Comunicação das Periferias na Favela da Maré, no Rio de Janeiro.

Por Da Redação 11/10/2017 - 10:03 hs
Foto: Observatório das Favelas

Durante 4 dias, que se inicia a partir desta quinta-feira (12) e vai até domingo (15), comunicador@s e ativistas de 18 estados da Federação, representando várias etnias, gêneros, visões de mundo e realidades distintas estarão juntos para discutir possibilidades e estratégias de ampliar suas ações e superar interdições, controles, explorações e desigualdades na área da comunicação e do direito à informação.

Os grupos e pessoas foram selecionad@s e convidad@s a participar a partir de uma pesquisa feita em todo o país entre representantes de meios da comunicação que trabalham para constituir cidades de direitos. Para tanto, foi constituído um grupo de trabalho nacional com integrantes da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. O resultado é uma fotografia democrática e próxima da realidade brasileira, como comprova o perfil d@s participantes: 50% de mulheres e homens; 54% de negras e negros.

Neste encontro da diversidade, as pessoas serão artesãs/ãos de todo o processo. Do início ao fim, o processo será guiado por quem constrói na vida, na prática, as ações. Os debates vão partir de insumos do que já existe de potência nas periferias e ampliar para saltos mais amplos, visando à democratização da comunicação em todos os seus aspectos e dimensões.

“O 1º Encontro Nacional de Comunicação das Periferias será uma alquimia da práxis, com convivência, debates históricos, teóricos, políticos e de repertórios acumulados. O objetivo principal será potencializar a periferia como sujeitas/sujeitos para superar as desigualdades e construir uma orientação coletiva comum que amplie o ativismo e forme uma grande rede de proteção e solidariedade múltiplas”, contextualiza Eduardo Alves, membro do grupo de trabalho do Encontro e da Direção do Observatório de Favelas

Ele ressalta que a construção do encontro nacional é fruto das narrativas produzidas nas periferias. “Assim se faz nossa narrativa: nas ações, nas atividades e realizações. Com certeza, sairemos mais fortes do que quando chegamos.”

Maré e Rocinha: outras conexões são possíveis

O 1º Encontro Nacional de Comunicação das Periferias vai ser marcado também por uma novidade: a conexão entre Maré e Rocinha através da Banda Larga de Fibra Ótica. São os sujeitos das periferias ampliando a potência humana transformadora, com um grande anel de 300 mb de energia para o mundo, contribuindo para construir o lugar de centro que possuem as periferias no momento atual.

Observatório de Favelas e Redes da Maré, por meio de um processo combinado de investimentos com a NET Rocinha, desenhou um anel territorial potente. Trata-se de quatro pontos combinados, com 100 mb, na sede de cada organização, e outros dois pontos com 50 mb nos galpões de artes.

No início da década de 90 esses dois territórios físicos na cidade do Rio foram transformados em bairros. No ano de 1993 foi a Rocinha. No ano de 1994 foi a vez da Maré. Bairros que envolvem, respectivamente, 70 mil e 140 mil pessoas. Uma população que, com o pertencimento à favela, vive todo o preconceito de olhares e práticas de outros territórios da cidade, a força destrutiva da exploração econômica e o poder mórbido do Estado que não atua para o fim da violência letal e ainda exerce seu papel de máxima violência nesses locais.

Com esse grande anel construído na Maré, aumenta a potência das favelas – a força humana criativa e transformadora das pessoas – para conquistar cada vez mais a centralidade na cidade.

17 de outubro de 2017: Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

Ativistas participantes do 1º Encontro Nacional de Comunicação das Periferias terão espaço durante o evento para apresentar poesias, músicas, artigos, projeções, em rodas de conversas e saraus.

O encontro servirá também para mandar uma mensagem sobre a força das periferias através de suas construções coletivas para se construir uma sociedade com mais justiça, liberdade e convivência: uma cidade de direitos. Será um marco simbólico, aproveitado a proximidade de 17 de outubro, Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza.

Acesse aqui o site do evento e saiba quem são @s participantes do 1º Encontro Nacional de Comunicação das Periferias.